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João Bispo é pastor da igreja “Casa de Oração” na cidade de Cuiabá. O dia 24 de março é a data do seu aniversário, ele está completando 50 anos e sua festa foi no mínimo diferente. O pastor foi para a cidade de Barra do Garças – MT, onde viveu a maior parte de sua vida e promoveu uma festa na feira coberta. A festa teve direito a galinhada, bolo e refrigerante, detalhe, ela era gratuita e quem quisesse participar poderia se sentir convidado. O objetivo do pastor foi dar comida a todas as pessoas que não tem o que comer, obviamente, alguns moradores de rua se fizeram presentes no local. João Bispo abraçou-os e os chamou de convidados especiais.

João Bispo é conhecido em Barra do Garças como Pezão, o pastor morou na cidade até o ano de 2008, quando se mudou para Cuiabá. Ele afirma que sua vida foi mudada por Deus e agora quer ajudar outras pessoas.

Por que o senhor está fazendo esse evento?

É meu aniversário, estou fazendo 50 anos de idade, eu poderia ir para um clube com os meus amigos, tomar um banho e comer uma carne assada. Mas eu preferi pegar essa data do meu aniversário para fazer algo para as pessoas que estão desprovidas de Deus (moradores de rua). Vou cobrar da sociedade, dos vereadores, vou até o prefeito, vou lutar por esse povo.

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O senhor acredita na recuperação dessas pessoas?

Acredito sim, em Cuiabá nós temos duas casas de recuperação. Temos uma casa feminina e uma masculina, sou pastor da igreja Casa de Oração em Cuiabá, inclusive lá já tem pessoas que estão no mercado, tem pastores, pessoas que foram tiradas da rua através de Jesus. Não é fácil, eles ficam 3 dias na casa, fogem, nós vamos atrás deles, chegamos lá e eles estão devendo a boca de fumo, nós negociamos com os traficantes, resgatamos novamente. O nível é de recuperação é baixo, mas se de 10, 4 recuperarem nós estamos felizes. Eu tenho um amigo chamado Luiz Ermino, ele era morador de rua e hoje tem uma casa de recuperação em Itajaí, com 200 pessoas. Eu sou outra prova viva, fui viciado em drogas, fui traficante e hoje estou aqui.

Como foi o processo de recuperação do senhor?

Felizmente eu não precisei ir para uma casa de recuperação. Cheguei em casa com uma droga no bolso e vi uma criança minha mexendo na droga, a partir desse momento eu cheguei em minha esposa e falei para ela que nunca mais iria usar.

A ideia da clínica de recuperação em Cuiabá foi do senhor?

Não, é um projeto do nosso pastor presidente. Nós vimos a necessidade lá, no Pedra 90 em Cuiabá você vê que muitas mães e avós quando recebem, os filhos e netos tomam tudo de suas casas para consumir drogas. Eles nos pedem ajuda, nós fazemos o que está ao nosso alcance, tem que ter muito amor, sem amor não se faz essas coisas.

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As igrejas estão omissas em relação aos dependentes químicos?

Sinceramente, hoje eu levantei e chorei. Quando Jesus veio ao mundo ele convocou 70 homens, destes 70 ele escolheu 12, dos 12, 3 eram mais chegados. Eu convidei 4 igrejas para me ajudar, tive que levantar as 6 da manhã hoje e não tinha uma pessoa para me ajudar. As pessoas hoje querem púlpito, os irmãos da igreja querem Jesus por causa de alguma coisa que os beneficie, eles não vem por amor a Deus. As vezes eu tenho vergonha de falar que sou pastor. Os evangélicos gostam de bater no peito e dizer que Deus os deu um carro novo, mas não tiram um tempo para saciar as necessidades das pessoas.

Se as igrejas se unissem elas conseguiriam vencer as drogas?
Barra do Garças tem mais de 100 igrejas, se tivesse a união de pelo menos 50, você não veria pessoas jogadas nas ruas sem um prato de comida.

Com informações Conews

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