Da Redação JM Notícia – Camila Rodrigues

 O deputado disse ainda que, assim como a União e o Estado, a prefeitura aumentou absurdamente os impostos, e que Palmas tem outras prioridades, como o hospital de urgência e emergência, para que o prefeito se preocupasse, ao invés do BRT.

Eduardo Siqueira Campos
Eduardo Siqueira Campos –  “O PV tem que pedir desculpas a população”

Em entrevista ao JM Notícia, nesta terça-feira, 03, o deputado Eduardo Siqueira (DEM) descartou possibilidade de se candidatar à prefeitura de Palmas, e afirmou que nunca houve articulação com o nome dele para que isso se concretizasse. O nome do partido cotado para a disputa é o apresentador Marcão, e que isso já estava definido antes mesmo dele entrar para o partido.

Além de criticar o Governo do Estado, em relação às altas taxas de impostos e não repassar recursos de direito do município, da área da saúde, como de fundos para os servidores, o deputado criticou também a gestão do prefeito Amastha. Para ele, a gestão possui pontos elogiáveis e, em uma comparação, sai à frente do Governo Estadual.

Desconforto

No entanto, para Siqueira, o momento atual é de desconforto por parte da população, e o prefeito Amastha terá que sanar esse problema se pretender continuar por mais quatro anos.

Eleições de 2016

O deputado Eduardo Siqueira questionou o possível candidato a vice-prefeito de Palmas, na chapa de Carlos Amastha e o próprio prefeito que caso seja eleito, poderá disputar uma nova eleição pós eleição municipal.

“Nós vamos votar em um prefeito para, depois que for eleito, em um ano e três meses deixar a eleição?”- questionou o deputado.

BRT

Siqueira afirmou que, se Amastha pretende fazer isso, nem começar uma obra como o BRT ele deveria. “Primeiro porque está suspenso pela Justiça Federal e, de fato, eu concordo com os argumentos do Ministério Público, eu não vejo 60 mil usuários de transporte urbano coletivo em Palmas. Até porque, não foi ele mesmo que há poucos meses retirou o subsídio, que aumentou só R$0,05 na passagem, foi pouco, mas retirou o subsídio. Se o município não tem dinheiro para subsidiar a passagem de um ônibus, avalie em uma obra de um bilhão e faça uma conta lógica, quanto é que seria hoje o preço da passagem, tendo em vista que, me desculpe o prefeito, nós não temos 68 mil usuários no sistema do transporte coletivo urbano de Palmas”.

Prioridades

Ao JM Notícia, o parlamentar afirmou que a população de Palmas precisa de outras prioridades, como o Hospital de Urgência e Emergência, que segundo ele, deve ser a maior prioridade do momento.

“Mas eu elegeria como prioridade para a próxima gestão, como cidadão, eu gostaria de ouvir alguém fazer um compromisso claro em relação ao hospital de urgência e emergência da cidade de Palmas”, complementou.

Para Eduardo Siqueira, o problema resolveria a superlotação no HGP, que passaria a fazer apenas procedimentos eletivos.

Confira, na íntegra, a entrevista com o deputado

Deputado, o DEM pode ter candidatura própria à prefeitura de Palmas

Já existe um nome lançado, que foi muito anterior até o meu ingresso, que é o Marcos Cojo, que é um homem com boa informação em publicação e marketing, um apresentador de televisão dos mais antigos de Palmas, e é um homem que discute e conhece a cidade há vários anos e também detém um programa que eu sempre fiz questão de dizer, como é um programa que tem um horário dele, ele faz sua opinião e debate e, obviamente seus convidados. O Marcão está cotado, o Democratas vai analisar o processo, dividindo com os demais partidos, a responsabilidade de analisar o quadro de Palmas e vai tomar a sua posição definitiva, obviamente no prazo das convenções, e não antes.

Agora, o que eu tenho visto é que cada segmento da sociedade tem lançado o seu nome ou colocado as suas pretensões em relação à nova administração. Quando eu entrei para o Democratas eu já encontrei a situação concreta em relação à candidatura, então eu devo respeito a ela, mas obviamente que eu vou discutir como cidadão, como eleitor de Palmas, como deputado, que teve uma razoável votação na capital e a maior votação fora dela, no Estado, eu vou discutir o processo da sucessão em todos os municípios, com particular atenção a Palmas.

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Nunca houve articulação do meu nome como candidato porque a articulação só pode existir a partir do momento que eu diga eu sou candidato. Eu prefiro discutir os problemas da cidade na atual condição de deputado, até para que não digam que, aquilo que eu opinar, tem um viés eleitoral. Mas também não tenho, ainda, posição firmada em relação ao destino do partido. Hoje prefiro apostar na posição do partido, que não é minha, é de um grupo. Então, eu seguirei a decisão partidária, sem deixar a minha opinião.

Amastha atendeu aos anseios dos palmenses, em sua opinião?

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Prefeito de Palmas, Carlos Amastha

Antes de analisar essa gestão, já que me parece que ele é candidato à reeleição, e se declarou, meio que sozinho, contra todos, eu não sei se é bem contra todos. É preciso observar, ele já teve partidos que estão apoiando ele. O que é preciso saber é o seguinte: O prefeito é candidato para quatro anos? Essa pergunta eu faria para qualquer candidato. Porque se for para ser por um ano e três meses, sendo que 2018 nós temos eleição, e 2018 ninguém fará outra coisa que não política, para um ano, aí eu me perguntaria por quê. Não sei, não ouvi dele, e não tenho procuração dele para dizer se ele é ou não é, e também ele não tem obrigação de responder, mas eu faço um questionamento a qualquer cidadão. Quem, para mim, for candidato a prefeito de Palmas, eu perguntarei se ele pretende ficar os quatro anos. Ou seja, é para quatro anos que faz esse compromisso? Isso é muito importante saber, porque senão, nós vamos votar num prefeito e daqui um ano e três meses ele deixa o cargo.

Se ele for deixar, que é um direito dele, eu preciso perguntar em quem vão votar então, porque aí será o vice o detentor de dois terços do mandato. Se ele for candidato à reeleição para sair em 2018, ele vai está entregando a cidade para outrem. E quem seria este outro? Obviamente que ele só vai decidir isso na convenção.

Então, a avaliação que eu faço, e eu tenho um excelente relacionamento com o prefeito Amastha, acho que em relação ao governo do Estado, ele dá uma aula, por exemplo, em relacionamento nas redes, na presença das discussões, nos debates. Agora, em relação a impostos, eu não posso distingui-lo. O Governo Federal aumentou muito, o Governo Estadual aumentou absurdamente, e ele não fez muito diferente. As três esferas de poder, a União, Estado e o município de Palmas, na pior hora da população, fizeram aumentos de taxas, de impostos, que foram sentidos pela população.

Eu senti a população de Palmas com a estima alta em relação a atos de gestão que ele praticou. Mas neste momento agora, não sou analista de pesquisa, não fiz nenhuma pesquisa, mas o sentimento que eu tenho é que há um desconforto por parte da população, que cabe a ele sanar isso para que ele possa ter um novo endosso da população para mais quatro anos. Mas deixo bem claro, que se for para um ano e três meses, a questão passa a ser toda ‘rediscutível’, mas é um direito que ele tem, não sou eu que vou tolher o direito do prefeito se candidatar e renunciar um ano e três meses depois. Mas acho que o leitor tem que está informado disso, então, para começar a discussão, esse é o primeiro ponto para mim. Porque se for assim, eu diria que nem começar uma obra como BRT ele deveria. Primeiro porque está suspenso pela Justiça Federal e, de fato, eu concordo com os argumentos do Ministério Público, eu não vejo 60 mil usuários de transporte urbano coletivo em Palmas. Até porque, não foi ele mesmo que há poucos meses retirou o subsídio, que aumentou só R$0,05 na passagem, foi pouco, mas retirou o subsídio. Se o município não tem dinheiro para subsidiar a passagem de um ônibus, avalie em uma obra de um bilhão e faça um conta lógica, quanto é que seria hoje o preço da passagem, tendo em vista que, me desculpe o prefeito, nós não temos 68 mil usuários no sistema do transporte coletivo urbano de Palmas.

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Agora dirão, mas não temos que pensar no futuro? Sim, talvez até pensando no futuro, Palmas tem outras prioridades. Eu aponto de cara uma: o hospital de urgência e emergência de Palmas. Porque está uma confusão. Aqui, de uma unha encravada a uma forte de dor de barriga ou falsa sensação de infarto, as pessoas correm todas para o HGP. Em todas as cidades, nós temos um hospital de urgência e emergência. E alguém poderá dizer: Porque vocês não o fizeram? Nós fizemos o HGP, nós fizemos o Dona Regina, além de inúmeras obras de infraestrutura importantes, mas eu entendo que isso cabe ao município.

Mas eu elegeria como prioridade para a próxima gestão, como cidadão, eu gostaria de ouvir alguém fazer um compromisso claro em relação ao hospital de urgência e emergência da cidade de Palmas. Porque então deixaríamos o HGP para cirurgias eletivas, para depois que o paciente fosse atendido e estabilizado, ele pudesse fazer os reparos, que são considerados eletivos. O HGP não foi concebido para ser um hospital de urgência e emergência. Ele foi concebido para ser um hospital fechado. Isso quer dizer que a sua prioridade seria fazer um trabalho eletivo.

Há uma possibilidade de composição do Democratas com o PV, em uma possível desistência do DEM em não ter candidatura própria?

Cláudia Lelis, pré-candidata à Prefeitura de Palmas
Cláudia Lelis, pré-candidata à Prefeitura de Palmas

Eu não posso me antecipar a uma posição do partido. Eu tenho uma posição pessoal. Ouvir a população é não aumentar impostos, sem saber se a população está podendo pagar. Eu não vi nenhum sistema de consulta à população, e vejo palavras como apoiar o empreendedorismo, apoiar as lojas que estão sofrendo com os impostos municipais, isso é uma crítica que o PV faz, mas que deixa de olhar para dentro do próprio Palácio que ele ocupa hoje. Ele promoveu igualmente ou pior, aliás, muito pior do que o governo municipal, porque o governo estadual aumentou taxas em cima do aumento da gasolina, que promoveu sua Excelência a presidente Dilma, e o governo ainda fez um capricho que colocar mais 2%. Então, eu acho difícil que haja, por parte do partidos em geral, um desejo, tendo em vista que os funcionários públicos estão conseguindo ações retidas e estão no Serasa. O governo está se utilizando dos recursos dos municípios, da Fundação Pró Rim, e de outras entidades, por não repassá-los.

Eu não vejo possibilidade, pelo menos a meu ver, não falo em nome do partido, de fazer uma composição que envolva uma candidatura do Palácio. Acho que, neste caso, há sentimento na população de que, se formos levar a discussão entre Paço Municipal e Palácio, o Paço leva uma vantagem. Ainda que, também, com taxas, aumentos e uma série de coisas que incomodam a população. Mas o que o governo do Estado fez foi bem mais grave. Desta vez o PV deve pedir desculpas à população e dizer que não houve tempo para ouvir a população, mas que vamos ficar na vice-governadoria, para qual fomos eleitos, fazendo tudo por Palmas. Eu não vi ainda nada que a população possa dizer que tenha vindo dessa composição, a não ser os aumentos, e não ouvir o governo dizer uma palavra.

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