Subsídio 01

Sob a velha ordem era simplesmente impossível fazer a vontade de Deus, e se a velha ordem ainda domina a vida dos homens, fazer a von­tade de Deus continua sendo uma impossibilidade. Mas aqueles cuja vida é dominada e dirigida pelo Espírito, que seguem os Seus impulsos, fazem de coração a vontade de Deus. O espírito deles, anteriormente morto e insensível, está agora imbuído da vida comunicada pelo Espírito de Deus. Seu corpo pode por algum tempo ainda estar sujeito à lei da morte que resulta da entrada do pecado no mundo. Mas a palavra final permanece com o Espírito da vida.

Pois não somente o Espírito mantém a vida e o poder no espírito dos crentes aqui e agora. Sua presença neles é prova de que seus corpos, ain­da sujeitos à mortalidade, ressurgirão para uma nova vida, como se deu com o corpo de Cristo. O corpo não está excluído dos benefícios da re­denção obtida por Cristo. Paulo já utilizara este fato num apelo dirigido aos membros da igreja de Corinto para considerarem os seus corpos e suas ações corporais com espírito de responsabilidade cristã: “fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”13 (1 Co 6:20). Assim o apóstolo lembra que as notificações de uma imorta­lidade vindoura são conferidas pelo Espírito ainda neste período de mor­talidade: este é um dos muitos modos pelos quais a presença do Espírito neste tempo é as primicias de uma herança de glória que ainda está para concretizar-se. Se aqueles que continuam em conformidade com a velha ordem trazem dentro de si a sentença de morte, os que consideram a velha ordem como pertencente ao passado morto e seguem a orientação do Espírito de Deus têm a segurança de que a vida imortal já começou neles. Na verdade, o fato de que respondem positivamente à direção do Espírito de Deus é prova evidente de que são filhos de Deus.

Para o apóstolo Paulo, a direção do Espírito não é questão de impul­sos esporádicos, mas é a experiência habitual do crente em Cristo; é o próprio princípio de liberdade da vida cristã. “Se sois guiados pelo Es­pírito, não estais sob a lei.” (Gl 5:18.) A velha escravidão da lei foi abolida; o Espírito introduz os crentes numa nova relação como filhos de Deus, nas­cidos livres. É o incentivo do Espírito que leva os cristãos a se dirigirem es­pontaneamente a Deus como seu Pai, usando a mesma expressão que Jesus usou ao falar com Deus como Seu Pai — expressão própria para a atmos­fera íntima da afeição familiar. Não admira que numa passagem parecida, em Gálatas, Paulo diga que “enviou Deus” aos corações do Seu povo “o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4:6). Em outras palavras, eles receberam o mesmo Espírito que desceu com poder sobre Jesus quan­do este foi batizado (Mc 1:10), que O levou ao deserto (Mc 1:12), que Lhe deu energia para realizar Suas poderosas obras (Mt 12:28) e que deu alento a toda a Sua obra e ministério (Mc 1:8; Lc 4:14,18).

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Assim o Espírito de Deus e o espírito do cristão testificam concor-demente o fato de que este é filho de Deus. Além disso, os filhos de Deus são Seus herdeiros — herdeiros daquela glória que pertence a Cristo por direito único, e que pela graça Ele comparte com Seus “irmãos” que, portanto, são co-herdeiros com Ele. Os que na presente vida experimen­tam a comunhão do Seu sofrimento podem aguardar a comunhão da Sua glória. “Sofrimento agora, glória depois”, é o tema que ocorre repetidamente no Novo Testamento e corresponde às realidades da vida cristã primitiva. “Através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”, disseram Paulo e Barnabé aos que se converteram por meio deles no sul da Galácia (At 14:22), e a mesma exortação se repetia a cada nova comunidade cristã que se formava, e era logo confirmada pela experiên­cia. “Se sofremos, também reinaremos com ele” (2 Tm 2:12, AV), sig­nifica a reprodução nas vidas dos cristãos, do modelo perfeitamente exemplificado em seu Mestre e Senhor, que por divina necessidade pas­sou por sofrimentos, e assim entrou em Sua glória (Lc 24:26; 1 Pe 1:11, 5:1).

SUBSÍDIO 02

O tema do capítulo oito
Caro professor, a lição sete abordará o último capítulo da primeira seção da Carta aos Romanos. Lembra de que a epístola está estruturada em três grandes seções: 1?8; 9?11; 12?16? Na presente lição, analisaremos o capítulo 8, que conclui o argumento da justificação, apresentado pelo apóstolo Paulo ao longo dos sete capítulos anteriores: a vida no Espírito.

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Ora, se ao longo dos sete capítulos o apóstolo argumenta que Cristo nos justificou e nos libertou, arrancando-nos das garras do império do pecado, agora ele pretende mostrar como é a vida no Espírito de quem foi justificado por Cristo. Para isso, é importante o professor voltar-se para algumas referências dos capítulos anteriores: Romanos 5.1-5; 7.4-6.

A nova vida no Espírito
“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que nãoandam segundo a carne, mas segundo o espírito” (8.1). É significativo que este primeiro versículo seja uma consequência natural e prolongada de Romanos 7.6: “Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra”. Portanto, nenhuma condenação há para quem está em Cristo!

O apóstolo passa a demonstrar o fato de que a libertação do pecado produzida pelo Espírito resultou em nosso livramento da culpa e da morte, fruto da obra expiatória de Cristo no Calvário. Se no capítulo cinco esta nova realidade de vida traz a esperança, pois é uma nova realidade como produto do derramamento do amor de Deus por intermédio do seu Espírito (v.5), no oitavo o apóstolo trata o crente como que vivendo e estando imerso nesta esperança, isto é, a vida plena no Espírito Santo (8.1,6b).

A realidade de quem “anda” no Espírito vislumbra no apóstolo uma perspectiva escatológica ? “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (8.18) ? arraigada na realidade da existência: “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (v.26). Convide a sua classe a viver no Espírito. Nossa esperança deve estar no céu, mas não podemos perder de vista a realidade das coisas. Precisamos reproduzir o vislumbre da gloriosa esperança onde habitamos.

Subsídio 01 = BRUCE, F.F. ROMANOS: Introdução e Comentário. 1ª Edição. Brasil: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1979.

Subsídio 02 = Escrito pela Equipe Educadora da CPAD- Fonte: Revista Ensinador Cristão, Ano 17 – nº 66 – abr/mai/jun de 2016. 

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