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O velho pastor e o novo pastor precisam se alinhar no caráter e temperamento de Cristo Jesus

Na Palavra de Deus podemos constatar geralmente o respeito da pessoa mais nova em relação a mais velha. Na educação dos nossos pais, a pessoa mais velha era muito respeitada. Eu fico com a educação do passado, exceto os exageros. Parece-me que é senso comum a constatação do desrespeito dos mais novos para com os mais velhos, os mais experientes, que percorreram estradas mais difíceis, acidentadas e com recursos escassos.

Na vida pastoral, especialmente nas relações entre pastores mais velhos e mais novos, não se tem mais o respeito, a consideração. Os mais novos chamam os pastores mais velhos de “você”. Essa gente não aprendeu a respeitar os companheiros de ministério mais calejados. Parece-me que há uma desordem relacional. Muitas vezes há uma arrogância dos mais novos. Sabemos que há pastores mais experientes que são arrogantes e não valorizam os mais novos. Isso não está certo. O velho pastor e o novo pastor precisam se alinhar no caráter e temperamento de Cristo Jesus. Reconhecer as limitações e agir com a humildade de Cristo. Foi o que Paulo ensinou aos irmãos em Filipos (2.5-8).

Timóteo e Tito

Paulo chama o jovem pastor Timóteo de “meu filho” (2 Tm 2.1). A Tito, ele chama de “meu verdadeiro filho na fé” (Tt 1.4). É impressionante a lição de respeito por parte de Timóteo e de Tito. Em nenhum momento vemos os dois tratando o velho apóstolo desrespeitosamente. Aprendi com os meus pais e com os irmãos mais velhos da Igreja, a tratar os mais velhos de forma honrosa. Existe uma autoridade espiritual do pastor mais experiente sobre o menos experiente.

As orientações do velho apóstolo ou pastor são dadas com a ternura de Cristo. Os ouvidos dos pastores Timóteo e Tito estavam atentos às exortações do velho obreiro. Elas foram bênçãos de Deus para os seus ministérios. Impressiona-me o número de jovens pastores que assumem igrejas sem serem acompanhados, ajudados e orientados. Há uma fabrica de jovens pastores arrogantes (não são todos) que acham que sabem tudo e mais alguma coisa. Eles não se submetem, estragam a família e a Igreja. À semelhança de Roboão (2 Cr 10.1-8), que não deu ouvidos aos conselheiros mais velhos, prejudicam-se a si mesmos e aos que estão à sua volta. Roboão pagou um alto preço por sua loucura e dividiu o reino. Causou um estrago sem precedentes na história do povo de Deus.

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Os ministérios de Timóteo e Tito foram bem-sucedidos em função da benção de Deus, ao reconhecerem a autoridade espiritual de Paulo. Os pastores mais velhos são uma espécie de pais dos obreiros mais novos. Eu não chamo meu pai de “você”, mas de “senhor”. Não chamo o meu progenitor de Oswaldo, mas de papai. Sabemos que a nossa sociedade está sendo fragmentada por um movimento de alienação e desrespeito dos mais jovens pelos mais velhos. Há uma anarquia que já começa quando criança. Num lar desajustado. A educação hoje é sofrível. Em nossas igrejas é uma epidemia. Este fato reflete no ministério pastoral. Concordamos que um ministério profissional não tem a prática do respeito no seu procedimento, no seu protocolo. Não há (com raras exceções) consideração pelos mais velhos. Os mais jovens, com poucas exceções, não reconhecem fronteiras éticas, morais.

Exemplo de Roboão

Por outro lado, é muito bom lidar com jovens obreiros maduros, leais, educados, honrosos e que consideram os velhos ministros como um tesouro do Senhor para as suas vidas, ministérios e famílias. A derrota de Roboão foi deixar o conselho dos anciãos e buscar o conselho dos jovens que haviam crescido com ele, e que o serviam (2 Cr 10.8). É impressionante a loucura deste jovem rei. Há muitos jovens obreiros (e até velhos) que não agem com a sabedoria vinda do alto. Precisamos pedi-la a Deus como nos ensina Tiago (1.5). A sabedoria está também em reconhecer a autoridade dos mais velhos e pedir orientação. Precisamos de ajuda. O jovem ministro tem a força, mas o velho tem a experiência. Há uma complementaridade aqui.

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Considero muito triste a prática de pastores mais jovens falarem mal do ministério dos mais velhos. Além disso, “trabalham” nos bastidores para desconstruírem o ministério dos obreiros mais experientes com intuito de tomar o seu lugar. Há igrejas que preferem pastores mais jovens e desvalorizam os mais velhos. Infelizmente há uma verdadeira politicagem na associação de liderança jovem da Igreja com pastores jovens contra o ministro mais velho. Aqui é a constatação clara de um desrespeito com conseqüências danosas.

Muitos jovens ministros não aprenderam ainda que um dos segredos de uma liderança bem-sucedida é honrar e reconhecer a autoridade dos mais velhos. A mesma lei para pais e filhos é a que funciona para velhos e jovens pastores. Mais uma vez o exemplo de Roboão é clássico. Loucos são aqueles que atropelam as coisas. Não dão ouvidos à voz da experiência. Fazem antes de orar e pensar ou refletir acerca das conseqüências das decisões. A nossa vida é constituída de semeadura e colheita. Alguém disse com sabedoria que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. Obreiros que semeiam traição certamente a colherão. Os que semeiam desonra e desrespeito colherão igualmente. A lei de Deus funciona mesmo. Por isso, o velho apóstolo ou pastor ensina: “Não vos enganeis: Deus não se deixa zombar. Portanto, tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

Por Oswaldo Luiz Gomes Jacob – Conselho de Jetro

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