Marcos Santos/ Usp Imagens/Fotos Públicas
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O juiz federal Marcelo da Costa Bretas usou um trecho da Bíblia na decisão na qual autorizou a operação Calicute, deflagrada na manhã de desta 5ª feira, 17. Um versículo do livro de Eclesiastes é mencionado para enfatizar a necessidade de combater a impunidade.

A citação bíblica aparece na página 15 da decisão judicial. “Por que será que as pessoas cometem crimes com tanta facilidade? É porque os criminosos não são castigados logo”, diz o trecho do Velho Testamento (Eclesiastes, cap. 8, ver. 11).

Na decisão, o juiz federal cita a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). Trata-se de uma tradução da Bíblia preparada pela Sociedade Bíblica do Brasil, e que é usada principalmente por denominações protestantes.

O Eclesiastes é considerado um dos “livros poéticos” do Velho Testamento. A tradição cristã atribui os versos ali escritos ao Rei Salomão.

Marcelo Bretas é evangélico praticante. Tem um irmão pastor. Discreto e avesso a declarações públicas, o magistrado cuida dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Bretas é o responsável por julgar o caso da Eletronuclear, em que ex-dirigentes da estatal e doleiros são acusados de fraudar licitações. Também autorizou a operação Saqueador, na qual são investigados o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o empreiteiro Fernando Cavendish (da Delta Engenharia) e o doleiro Adir Assad.

Bretas compartilha da mesma crença religiosa do procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

“TRAIÇÃO ELEITORAL”
O juiz usa termos duros ao descrever as acusações contra Sérgio Cabral. Após descrever a trajetória do político (deputado estadual, senador e governador), Bretas escreve que Cabral pode ter protagonizado “gravíssimo episódio de traição eleitoral”.

“Se forem confirmadas as suspeitas iniciais levantadas pelos investigadores (…),estaremos diante de um gravíssimo episódio de traição eleitoral, em que um indivíduo mostra-se capaz de menosprezar a confiança em si depositada por milhões de pessoas, para cargos nos Poderes Legislativos (do Estado e da União) e Executivo (do Estado) e em tantas eleições” (o grifo é do juiz).

Uol

 

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