“Qual o trabalho que as igrejas estão fazendo nas escolas? Senti falta das igrejas evangélicas. Eu não vejo nenhum pastor de igreja fazendo trabalho social nas escolas, visitar realmente quem está precisando”, condenou Negreiros

A polêmica fala do vereador Major Negreiros (PSB) ocorreu nesta terça-feira, 28, durante uma audiência publica realizada na Câmara de Palmas para a discussão sobre o avanço do consumo e tráfico de drogas na Capital. O evento tinha a participação de autoridades, representantes das forças de segurança, de entidades sociais e da população em geral.

“Qual o trabalho que a igreja católica faz? Eu conheço vários padres. Os padres saiam das igrejas e iam fazer o trabalho pastoral. E agora? Cadê os padres? É fácil vir aqui e cobrar ação dos vereadores”, disparou Negreiros, que também criticou os evangélicos. “Qual o trabalho que as igrejas estão fazendo nas escolas? Senti falta das igrejas evangélicas. Eu não vejo nenhum pastor de igreja fazendo trabalho social nas escolas, visitar realmente quem está precisando”, condenou.

Filipe Martins (PSC) entrou em defesa enfatizando o trabalho de recuperação física, emocional e espiritual das igrejas, e definiu como “infeliz” o comentário de Negreiros

O discurso do Major foi rebatido. O superintendente de Juventude, Ricardo Ribeirinha, que participava da discussão, defendeu a igreja Católica. “Eu acho um absurdo dizer que a Igreja Católica não trabalha. A maior comunidade terapêutica do Brasil é a Fazenda Esperança”, esclareceu.

O vereador Filipe Martins (PSC) entrou em defesa enfatizando o trabalho de recuperação física, emocional e espiritual das igrejas, e definiu como “infeliz” o comentário de Negreiros, ao dizer que as igrejas não tem atuação no combate de entorpecentes. “Tivemos uma emenda de mais de 200 mil, através do vereador João Campos, e nosso trabalho continua aqui na Câmara. Tanto a igreja Católica quanto a igreja Evangélica tem um trabalho prestado e efetivo de conscientização, de combate de prevenção e acompanhamento.”

Filipe lembrou ainda da atuação de diversas instituições de recuperação, que são evangélicas, a exemplo do Instituto Leão de Judá, coordenada pelo pastor Manoel Albuquerque, Instituto Crer, Instituto Eliezer e outros. Ele ressaltou que a igreja segue a premissa do livro de Mateus cap. 6, na Bíblia. “… não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”.

“A igreja proporciona ao jovem, a oportunidade de pertencer a algum grupo, onde alguns valores importantes são conservados. Peço a retratação do vereador Major Negreiros junto aos representantes das instituições Católica e Evangélica reconhecendo a atuação das mesmas”, concluiu Martins.

“As igrejas estão fazendo o seu pape,” diz Laudecy Coimbra

A vereadora Laudeci Coimbra (SD) também se pronunciou. “Existe sim a pastoral Carcerária da igreja Católica, existe a instituição Leão de Judá. As igrejas estão fazendo o seu papel.”

Intervenção religiosa

Diversas pesquisas apontam para a importância da igreja no combate às drogas. Estudos do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas associam a religiosidade ao menor consumo de drogas e a melhores índices de recuperação para pacientes em tratamento médico para dependência de drogas. A religiosidade atua como protetora ao consumo de drogas entre pessoas que frequentam a igreja regularmente praticam os preceitos da religião professada, creem na importância da religião em suas vidas ou tiveram educação religiosa formal na infância.

Outro estudo com estudantes universitários em São Paulo sugere que a religiosidade, independentemente da religião professada, facilita a recuperação da dependência de drogas e diminui os índices de recaída de pacientes. Richard et al19 (2000) afirmam que a ida aos cultos e missas contribui para diminuição do consumo de drogas, como a cocaína, sem que haja necessariamente, um tratamento formal nesses locais.

Alguns autores sugerem que a religiosidade pode auxiliar no processo de recuperação de dependentes de drogas pelas seguintes vias: aumentos do otimismo, percepção do suporte social, resiliência, ao estresse e diminuição dos níveis de ansiedade. Para Barret este mecanismo estaria muito mais relacionado a questões sociais, como a ressocialização do jovem por meio de reestruturação da rede de amigos, colocando-os em um ambiente sem oferta de drogas.

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  • Clésio Souto

    Quem está precisando de visitar a escola é o vereador, pois, se o Brasil é um país Laico que não está sujeito a uma religião ou não que não pode ser influenciado por ela, fica proibido a doutrinação de qualquer segmento religioso dentro das escola. Ao invés de falar o que não sabe o vereador deveria era ajudar as centros de recuperação de viciados, orfanatos, o trabalho missionário que é feito com moradores de rua, entre outros. Perdeu a chance de ficar calado.