Número de políticos ligados a igrejas deve crescer em 2018

Analistas acreditam que as denúncias de corrupção darão espaços para religiosos e personalidades da mídia

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As denúncias de corrupção que envolvem mais de duas centenas de parlamentares, governadores e até ex-presidentes pode mudar o cenário político em 2018.

Para a vice-diretora do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília), Flávia Biroli, as investigações da Lava Jato podem abrir caminho para personalidades como o empresário e apresentador João Doria, atual prefeito de São Paulo (PSDB) e líderes religiosos.

“Quando os partidos se enfraquecem e há uma percepção de que o sistema está corrompido, podem se fortalecer atores individuais que se dizem independentes do sistema”, afirmou a especialista.

Quando a política partidária perde legitimidade, igrejas também ganham força “como canais para a construção de carreiras políticas”, na visão da cientista política que tem medo de ações antidemocráticas.

“Me preocupam os atores que, surfando na ideia da apolítica, possam trazer para a política soluções não democráticas.”

A preocupação de Flávia Biroli, tem ligação não apenas com a possível candidatura de pessoas ligadas à igreja, mas também da ascensão de nomes como o do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) que é pré-candidato ao cargo de presidente da República em 2018.

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O professor de Ciência Política da UnB, David Fleischer aposta em uma renovação de até 70% da Câmara dos Deputados na próxima eleição, número maior do que a média de 50% que é notada a cada nova eleição.

Na visão deste especialista, os deputados estaduais deverão tentar mudar para a esfera federal e novos nomes de grandes empresários deverão surgir no meio político como o já citado João Dória e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), outro empresário a se lançar recentemente na política institucional.

 

STE quer impedir candidatos de igrejas

Alegando “uso de poder econômico”, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar uma cláusula para impedir a influência das igrejas nas eleições.

O presidente da Corte eleitoral, Gilmar Mendes, já fez declarações que mostram seu posicionamento sobre o tema. “Depois da proibição das doações empresariais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), hoje quem tem dinheiro? As igrejas. Além do poder de persuasão. O cidadão reúne 100 mil pessoas num lugar e diz ‘meu candidato é esse’. Estamos discutindo para cassar isso”, alegou.

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A bancada evangélica na Câmara dos Deputados cresce a cada eleição, em 1998 eram apenas 47 parlamentares ligados as igrejas evangélicas, em 2014 foram 80 deputados eleitos.

Hoje a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso tem 181 deputados e quatro senadores. Esse número inclui  os deputados ligados às igrejas, simpatizantes e outros parlamentares que defendem as mesmas matérias como a não legalização do aborto. Com informações BBC Brasil.

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