Por Francisco Vieira

Essa semana que passou comemoramos no dia 21 de Abril o feriado de Tiradentes ou da Inconfidência Mineira. Para muitos este é só mais um feriado, dia de descanso. Mas o Feriado de Tiradentes guarda muitas semelhanças com o contexto atual da política Brasileira. Sob uma perspectiva  histórica,  a luta de Tiradentes foi uma das mais importantes mobilizações sociais do Brasil. O que queriam os inconfidentes?  Queriam a liberdade do povo Brasileiro contra a opressão do regime colonial Português.  Esta luta se deu no século 18, quando o Brasil Colônia sofria com abusos políticos e alta cobrança de taxas e impostos. Para nossa triste constatação o quadro hoje não é muito diferente, não é?  A população continua lutando contra a corrupção dos políticos e contra a alta carga tributária. Não por acaso o velho testamento revela que quando o povo de Israel era governado por profetas e juízes, eles exigiram que Deus lhes desse um rei. Segundo o texto bíblico, Deus respondeu que um rei levaria o povo a ter que pagar tributos e sustentar a corte. Até hoje a população sofre para manter a máquina pública e toda sua corte, que vive lautamente, enquanto o cidadão padece .

Entre as principais causas da Inconfidência Mineira está a instituição do tributo chamado QUINTO DO OURO.  Todos os que encontrassem ouro deveriam pagar o Quinto, ou 20% de todo ouro que ia para os cofres dos políticos e da coroa Portuguesa.  Hoje com a revelação dos vídeos da delação da Odebrecht, se pode ver que a prática continua, só que ao invés de 20% o valor atualmente é muito maior.

Há alguns dias estava ouvindo uma música que falava sobre a negação de Pedro e desde então, venho meditando bastante sobre essa passagem . O que estamos vendo a maioria dos políticos negar ter feito qualquer coisa errada e dizer que todas as doações de campanha foram declaradas.  Muitos se expressam de maneira tão calma que se chega a questionar se eles são seres deste planeta.

Tudo isso sem falar da independência do Ministério Público, garantida pela Constituição de 1988 e pela decisão política de fortalecimento da autonomia da Polícia Federal.

Sem deixar de reconhecer o mérito do juiz Sérgio Mouro, do ex-ministro Joaquim Barbosa como heróis nacionais, a recuperação recorde de recursos desviados. Além disso, se é bom que um país tenha capacidade de produzir heróis, não é recomendável que um povo dependa deles. Um bom país se faz com a aplicação de boas regras. E tenho dito.

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