Da Redação JM Notícia

Nesta terça-feira (9) os deputados da bancada evangélica conseguiram barrar o projeto que exigia o afastamento das atividades eclesiásticas dos líderes religiosos que fossem disputar eleições.

O projeto, debatido na comissão especial, queria impor um prazo para que os líderes deixassem seus cargos religiosos e então disputassem as eleições.

Com relatoria do deputado Vicente Cândido (PT-SP), o texto excluiu líderes religiosos mas manteve a exigência para todos os candidatos no serviço público como militares, membros do Ministério Público e do Judiciário.

A exclusão de líderes religiosos gerou grande polêmica entre os parlamentares. O relator precisou esclarecer que a inclusão de religiosos não é uma perseguição, mas uma busca de isonomia entre outros possíveis candidatos. “O assunto é tão relevante que temos aqui uma bancada com 90 parlamentares ligados a instituições religiosas. Estou no caminho da isonomia”, argumentou Candido.

Para o parlamentar petista, os pastores podem falar para grande público e isso pode dar a eles vantagens durante o processo eleitoral, tese que os deputados da bancada religiosa não concordam.

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O deputado Márcio Marinho (PRB-BA), por exemplo, chegou a dizer que querer impor que os líderes se afastem de suas atividades é uma discriminação.

“Acho que há um medo porque os líderes religiosos têm interface grande à sociedade. Por que não o cantor, os artistas, o jogador de futebol. Por que só os líderes religiosos?”, questionou.

Quem também foi contra a inclusão de lideranças religiosas nesse projeto foi o deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), para ele o texto queria atingir os evangélicos. “Estão com medo de quê? Já é proibido se usar igreja para fazer política, é abuso de poder religioso. Não tem lógica”, disse.

“Estamos atribuindo aos líderes religiosos o mesmo poder de influência que o prefeito? Não me parece proporcional nem razoável”, disse o deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

Quem concorda com a inclusão dos líderes religiosos no processo de desincompatibilização é o deputado Aliel Machado (Rede-PR) que cita o recebimento de dinheiro público para obras sociais das igrejas. “O caso do líder religioso envolve questões públicas e dinheiro público, indiretamente. Essa regra é justa e correta.”

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Após passar pela comissão especial, o texto vai virar um projeto de lei complementar que, se for aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República, vai alterar a Lei de Inelegibilidade.

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