Por Marcelino Martins – Ministro do Evangelho

Quando estudamos as religiões, e os seus fenômenos religiosos, percebemos que sempre iremos nos deparar com uma pergunta: Há vida, após a morte?

Dificilmente, raramente nos depararemos com uma ausência de respostas, pois cada uma delas terá uma resposta, concernente a vida após a morte. Desde os tempos veterotestamentários nos deparamos com tal fato, questionamento, pergunta que não se cala, porém, há anos, muitas pessoas, religiões, seitas, carregam consigo uma crença relativa a este assunto de extrema relevância, todavia, as mesmas divergem em suas doutrinas ou crenças, no que se refere ao assunto citado. Inclusive, por falar em assunto muito importante, alguns estudiosos procuram fugir dessa temática, pois preferem viver: “o hoje, ou, o aqui e agora”, deixando, portanto, o assunto para a bandeira de escanteio.

Para termos uma ideia, daquilo que estamos tratando, gostaríamos de mencionar certos exemplos de algumas religiões, e suas respectivas crenças, trabalhando em cima dos seus dogmas, e paradigmas, concernente a vida após a morte.

Vejamos o que diz o site da CIP – Congregação Israelita Paulista:

A ideia de vida após a morte é um postulado da teologia judaica, porém não uma afirmação. E como muitos outros conceitos, esta sujeito a diversas interpretações.

Para os ortodoxos, a noção de “vida após a morte” é uma declaração da crença na vinda do Messias, que ressuscitara fisicamente os mortos. Para os judeus liberais, por outro lado a idéia e mais figurativa do que literal existe a terra dos vivos e existe “a terra dos mortos”. A ponte entre elas é o amor. Nós atravessamos essa ponte diariamente, por meio dos nossos pensamentos e dos nossos atos. Seguindo o exemplo daqueles que partiram, dedicando nossa vida à perpetuação dos seus ideais, nós lhes concedemos a imortalidade. Enquanto nós vivermos, eles viverão.

Agora, analisemos o que diz os muçulmanos com relação a este assunto:

O Paraíso é o jardim eterno de prazeres físicos e deleites espirituais. O sofrimento estará ausente e os desejos do corpo serão satisfeitos. Todos os desejos serão atendidos. Palácios, servos, fortuna, rios de vinho, leite e mel, fragrâncias agradáveis, vozes suaves, parceiros puros para relações íntimas; uma pessoa nunca se entediará ou terá o bastante!

A maior bênção, entretanto, será a visão de seu Senhor da qual os descrentes serão privados.

O Inferno é um local abominável de punição para os descrentes e purificação para os crentes pecadores. Tortura e punição: para o corpo e a alma: queimaduras por fogo, água fervente para beber, comida escaldante para comer, correntes, e colunas de fogo sufocantes. Os descrentes serão eternamente condenados a ele, enquanto os crentes pecadores eventualmente serão retirados do Inferno e entrarão no Paraíso.

O Paraíso é para aqueles que adoraram a Deus somente, acreditaram e seguiram seu profeta, e viveram vidas que estavam moralmente de acordo com os ensinamentos da escritura.

O Inferno será a morada final daqueles que negaram a Deus, adoraram outros seres ao lado de Deus, rejeitaram a chamada dos profetas e levaram vidas pecaminosas sem arrependimento.

Também, temos o caso dos espíritas, que acreditam num processo chamado de reencarnação, que no Budismo é chamado de transmigração da alma. Considerando que existe uma diversidade de crenças existentes, delimitaremos o assunto, a duas grandes religiões que se encontram no cenário mundial. Estas duas religiões, divergem quando o tema é vida após à morte, pois carregam culturas, ambientes diferentes, onde foram desenvolvidas as suas crenças. Vejamos cada uma delas:

– Budismo: Tem como o seu principal fundador, Sidarta Galtama, o Buda (o iluminado), nascido Kapilavastu, próximo a fronteira atual entre a Ìndia e o Nepal, o mesmo atingiu o seu estado de iluminação aos seus 35 anos de idade. Nascimento, mencionado pelos estudiosos, tem a sua origem em torno de 624 a.C. até 410 a.C. Assim como Jesus, os ensinamentos dele, não foram originalmente escritos por Sidarta, mas transmitidos oralmente pelos seus seguidores. Hoje, no mundo existem diversas escolas budistas, excluindo a China, existem cerca de 200 milhões de pessoas que professam a fé budista. Sendo os seus ensinamentos bastante difundidos na Sri Lanka e no Sudoeste da Ásia, estando também presente na China, Coréia e no Japão.

Sidarta era príncipe, nascido em meio à fortuna e a riqueza. Seu pai havia ouvido uma profecia de que o seu filho seria um grande líder, ou abandonaria por completo o mundo. Por isso, seu pai procurou reservá-lo aos limites do palácio, cercado das delicias e dos privilégios lá existentes. Buda casou-se jovem com uma prima, tendo também um harém de dançarinas, porém, aos 29 anos de idade, ao sair do palácio, percebeu um homem doente e um cadáver em decomposição. O mesmo percebeu que a vida de riqueza e prazer não traduz uma existência plena e com sentido. Agora, percebendo tal contradição, pois, vê no rosto de um asceta uma expressão cheia de alegria, resolveu abdicar de tal posição, sendo tocado por um grande sentimento de amor pelas pessoas e um chamado para resgatá-las da dor e sofrimento. Então, ele abandona à sua esposa e filho, renúncia os prazeres do palácio onde morava, para viver uma vida de pobreza, como um andarilho. Passou a comer cada vez menos, e quando chegou aos 35 anos de idade, chega à iluminação, à margem do rio Ganges. Passa a entender que a causa do sofrimento no mundo está nos desejos, devendo o homem suprimir os mesmo em busca de escapar dessa série de encarnações, no intuito de alcançar a realidade última, o chamado: Nirvana.

Portanto, o que seria o Nirvana? Seria o auge? Seria algo, semelhante aos céus?

Bem, para o budismo, percebemos que é algo meio parecido, pois os cristãos buscam, assim como os budistas um estado final, pleno, maravilhoso, incomparável, todavia, com o passar do tempo essa ideia, esse pensamento, esse desejo, esse anelo dos cristãos tem perdido força, quando buscamos comparar com aquele anelo revelado pelos primeiros cristãos, primitivos.

Ultimamente, o desejo (anelo) dos céus tem sido substituído pelos prazeres terrenos, por isso, nos vem à pergunta: estaria o cristianismo progredindo ou o mesmo tem saído da sua essência? Todavia, não é exatamente este o tema ser tratado, porém, é interessante refletirmos sobre o assunto.

Falando como teólogo, diríamos que o céu dos cristãos não é o Nirvana, mencionado pelos budistas, pois são ensinamentos totalmente distintos, e caminhos totalmente diferentes a serem trilhados como requisitos a serem alcançados, pois os cristãos pregam a salvação dos pecados, por intermédio de Jesus Cristo, considerado o Messias, enviado de Deus, para resgatar a humanidade pecadora, que segundo João Batista, dizia ser a prefiguração do cordeiro que era morto, sacrificado pelo sumo sacerdote, para expiar o pecado da nação, porém, o livro de Hebreus o menciona, como o último sacrifício, não sendo mais necessário outro, pois o mesmo veio definitivamente livrar o homem do pecado e do mal. Sendo assim, Jesus morreu e ressuscitou ao terceiro dia, tendo o direito de ressuscitar aqueles que Nele esperam no tribunal de Cristo. Na epistola de Paulo aos efésios, o mesmo diz: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, não pelas obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8). O apostolo também diz, na epistola aos romanos, o seguinte: Se confessares ao Senhor Jesus, e no teu coração, creres que Deus ressuscitou entre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração, se crê para justiça, e com a boca, se faz confissão a respeito da salvação (Romanos 10:9). Portanto, vemos aqui que o caminho a ser trilhado é outro totalmente diferente para alcançar a salvação, porém alguém pode dizer: “Mas todos os caminhos levam a Deus”, entretanto, as escrituras declaram que nem todos os caminhos levam a Deus, pois, Jesus certa vez, disse: Eu sou o caminho, a verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim (João 14:6). Existe uma atribuição exclusiva da salvação nas escrituras sagradas, por intermédio da pessoa de Cristo, pois no livro de Atos dos apóstolos, diz: E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos (Atos 4:12).

Através destes argumentos, justificamos aqui a pergunta: O nirvana é o céu?

O nirvana para o budismo é o auge, momento especial, alcançado por abstinência dos desejos terrenos, pois este causam grandes males, em troca do metafísico, do pleno e etc. Todavia, no cristianismo (evangélico) não se faz necessário tais sacrifícios, pois par se alcançar a salvação, porém, os sacrifícios quando realizados são realizados por que se consideram salvos na pessoa de Cristo Jesus. Além disto, vimos o relato bíblico concernente a salvação, demonstrando e atribuindo a exclusividade soteriológica (salvação), por intermédio de Cristo.

Há alguns anos atrás, cantava-se: Eu queria ir pra lá – se eu pudesse estar lá – só pra ver o meu Rei – frente a frente com o Pai – só cantando, assim: Santo, Santo eis Senhor, para sempre cantaria.

Hoje cantamos: “É dom de Deus poder, poder prosperar” e outras variadas canções, produzidas com certos interesses empresariais, que na verdade, invertem os valores, pois não glorificam, mas massageiam o ego de todos. Fala de promessas terrenas, passageiras, como riquezas, dinheiro, não mencionando os deveres cristãos para com Deus, salvo o dizimo que tem que ser dado, além das ofertas, conseguidas através de muitas manipulações, como se Deus, fosse um Deus de barganha.

O céu desejado pelos cristãos, apesar das mudanças de pensamento dos crentes ocorridas nas últimas décadas, em função da teologia da prosperidade, são as mansões celestiais descritas por Jesus, no evangelho de João, quando disse: Na casa de me Pai, há muitas moradas… (João 14:2). Também descritas em apocalipse, como: ruas de ouro e de cristal… Sendo dito, também que: Lá Não haverá mais pranto, dor, sofrimento, e o Senhor Jesus, nos enxugará todas as lágrimas.

Não que devamos esquecer os nossos deveres, compromissos ou objetivos aqui na terra, ou seja, cuidar da saúde (físico), fazer uma faculdade, ter um bom emprego, ter uma boa casa, um lindo carro, uma linda família, viajar e etc. Porém, a maior benção e riqueza que cristão pode alcançar, segundo a bíblia é chegarmos ao céu, encontrarmos com Jesus, e vivermos plena paz, para sempre e eternamente. Esta sim é incomparável, imensurável, pois Paulo, disse: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração homem são as coisas que Deus preparou para os que o amam (1 Coríntios 2:9).

Que Deus nos abençoe a cada dia, e que venhamos guardar os seus ensinamentos. Amém!

Por Marcelino Martins
Ministro do Evangelho, Professor de História, Bacharel em Teologia pela Unicesumar, Graduando em Processos Gerenciais, Mestre em Ciências da Religião – Pela FAT – Faculdade de Teologia Avançada.

Fontes Bibliográficas

– Biblia de Estudo Pentecostal
– Dicionário Internacional de Teologia no N.T
– Livro: A História das Religiões

Outras Fontes

– Site Islâmico: www.IslamReligion.com
– Site da CIP (Congregação Israelita Paulista): www.cip.org.br

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