Da Redação JM Notícia

 

O livro “Enquanto o sono não vem”, entregue para crianças de 6 a 8 anos da cidade de Vitória (ES), teve que ser retirado das salas após uma série de reclamações.

De autoria de José Mauro Brant, a obra trazia contos e, entre eles, uma história que sugere o casamento entre pai e filha. Pais dos alunos e até professores criticaram o livro que foi distribuído pelo Ministério da Educação para escolas de todo o país através do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).

O conto “A triste história de Eredegalda” narra a história de um rei que tinha três filhas e pediu para que a mais bela delas se casasse com ele e colocasse sua própria mãe para ser criada. A menina nega se casar com o pai e em troca recebe castigo.

“Se na história existe isso, pode achar que é uma coisa normal. Ela tenta denunciar, mas não é atendida. Cadê o encantamento? A criança nessa fase está no conto de fadas”, reclamou a professora Fernanda Appel.

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O titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Lorenzo Pazolini, também se posicionou contra o material distribuído nas escolas da cidade.

“Muitas dessas crianças viveram ou presenciaram cenas de abuso. E reviver isso dentro da sala de aula traz um sofrimento com consequências dentro e fora da sala. É claro que é um conto, mas a mente de uma criança é vasta”, declarou.

A Prefeitura de Vitória informou na tarde da última quarta-feira (31) que os livros foram recolhidos e serão remetidos ao MEC com um parecer técnico pedagógico.

O MEC confirmou que o livro faz parte do PNAIC, mas que o processo de compra dessa obra foi feito pela gestão anterior, de 2014. A nota afirma apenas que o MEC está revendo o processo de seleção dos livros.

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