Da Redação JM Notícia

 

Na manhã desta terça-feira (20) os vereadores da cidade de Palmas debateram sobre a ação movida contra a cidade pela Procuradoria-Geral da República, por conta da decisão dos vereadores de não aceitar o ensino de gênero nas escolas.

Para o vereador Lúcio Campelo (PR) a declaração do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reclamando de decisões religiosas foi infeliz e explicou que a Câmara se levantou contra o ensino de tal ideologia por não julgar os professores aptos para ensinar tal assunto.

“Rodrigo Janot foi infeliz. E por que eu entendo assim? Eu faço a leitura da seguinte forma: será que os netos ou bisnetos dele estudam na escola pública? Os professores do nosso município de Palmas receberam qual tipo de preparo para tratar desse tipo de assunto?“, questionou.

O parlamentar se mostrou preocupado com a qualidade de ensino e principalmente sobre como os professores, sem nenhum tipo de preparo, tratariam desse tema que para ele deve ser abordado pelos pais e não na sala de aula com crianças de 6 anos idade.

Vereador Lúcio Campelo (PR)

“Rodrigo Janot, ao dizer que vai processar Palmas neste aspecto, ele foi extremamente infeliz. Tão quanto infeliz como tomar a decisão de liberar os irmãos Batistas que todo mundo sabe que eles foram os corruptores”, declarou o vereador.

O vereador Filipe Fernandes (PSDC), também se posicionou sobre a decisão da PGR, se declarando contra o material didático que falaria sobre o tema para crianças tão pequenas e questionando também a falta de preparo dos professores para ensinar tais conceitos aos alunos.

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“As crianças não precisam participar [da discussão sobre homossexualidade]… Nós temos que ter muito cuidado de pensar antes de falar, não podemos agir como discriminação, mas defendemos a tradicionalidade”, declarou.

O vereador Filipe Martins (PSC) entende que Janot está indo contra o Poder Legislativo, pois assim como em Palmas, o Congresso Nacional também decidiu por não incluir o ensino de ideologia de gênero nas escolas.

Vereador Filipe Martins (PSC)

“O nosso posicionamento é notório, é fato, expressamos na mídia sobre a ideologia de gênero, não apenas pelo nosso segmento [evangélico], que é contrário, mas ninguém pode julgar o ser humano pelas atitudes que ele toma, porém estamos discutindo a influência sobre as nossas crianças. Queremos saber se os professores estão capacitados para tal. A inclusão das cartilhas não só traz informação, mas também o incentivo à descoberta precoce do sexo”, revelou.

Para ele, o material que seria distribuído ensinaria as crianças a iniciar a prática sexual e descobrir, precocemente, sobre um tema que não é indicado para as crianças do ensino fundamental. “Sempre serei contrário a essas matérias”, declarou.

Entenda o caso:

Na última semana, procurador-geral da República, Rodrigo Janot, resolveu mover ações contra sete prefeituras alegando que a atitude delas “estimulam o sofrimento, violência, marginalização e evasão escolar de homossexuais”.

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A cidades que foram alvos dessa ofensiva da Procuradoria-Geral da República (PGR) foram: Novo Gama (GO), Cascavel (PR), Paranaguá (PR), Blumenau (SC), Palmas (TO), Tubarão (SC) e Ipatinga (MG), localidades por onde os projetos de incluir a educação de ideologia de gênero para crianças não foram aceitas pelos vereadores através de inúmeras manifestações de pais de alunos.

Nas ações, a PGR alega que as leis municipais estão impedindo a discussão de realidades que fogem da heteroafetividade e que são leis “de concepção moral de marcado fundo religioso”.

Através de sua assessoria ao JM Notícia, o deputado Federal (PR-RJ) Sóstenes Cavalcante comentou a notícia dizendo que estar “extremamente perplexo” com a forma como o procurador Rodrigo Janot resolveu tratar o caso.

“Quero dizer que é muito estranho o Procurador Geral da República emitir opinião sobre motivação religiosa, afinal de contas é dever Constitucional a livre manifestação religiosa”, disse Sóstenes ao citar o artigo 5º da Constituição.

“O que realmente queremos é tratar nossos alunos de forma igualitária, nem prestigiando uns pela opção sexual, nem depreciando outros por possuírem e professarem sua fé. Prezamos pela qualidade na Educação, e a garantia de que nossos filhos e filhas não serão doutrinados por professores mal-intencionados”, declarou.

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