Da Redação JM Notícia

A proposta aprovada na Comissão da Reforma Política na semana passada determina que serão eleitos para o Legislativo os candidatos com mais votos em cada Estado, acabando assim com o sistema proporcional.

Para muitos especialistas, o chamado “distritão” pode impedir a renovação política e dar vantagens para favorecer a bancada evangélica, segmento que tem aumentado a sua representação na Câmara Federal e também nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Janio Freitas, colunista do jornal Folha de São Paulo, criticou esse projeto da reforma política. “Essa é outra reforma para pior. E não menos perigosa do que a anterior. Exige tempo e debate”, declarou.

O jornalista se preocupa principalmente com a vantagem que líderes religiosos terão mas eleições, pois para ele, organizações fortes sairão ganhando.

O professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo Luiz Guilherme Arcaro Conci, em entrevista ao jornal O Globo, também se colocou contra esta proposta.

“O distritão me parece ser um grande desperdício. Teremos em São Paulo deputado eleito com 3 milhões de votos, o que leva a uma menor chance de renovação”.

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Para ele, o modelo novo irá privilegiar as caras já tradicionais da política, como deputados mais velhos e com muitas eleições ganhas, os filhos de políticos, e parlamentares com curral eleitoral consolidado.

Entre os campeões de voto das eleições passadas temos nomes como Tiririca (PR-SP), Celso Russomano (PRB-SP), pastor Marcos Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Esses, que já possuem base política e um grande número de eleitores, continuarão se reelegendo caso o “distritão” seja aprovado no Congresso.

“É um retrocesso grande. No modelo estabelecido agora os partidos perdem fortemente a importância. Nós faremos as eleições para deputados estaduais e federais e vereadores como ‘corridas individuais’. Isso pode fomentar a ocupação de um vazio por celebridades, que vão entrar nesse processo não pela trajetória política, mas sim por ocuparem espaço na TV, no esporte ou nas igrejas”, afirmou o professor.

Fim do puxador de votos

No modelo atual, os mais votados puxam votos para que candidatos com menos votos consigam se eleger pela proporcionalidade partidária. Com a nova regra isso não aconteceria mais.

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Mas na prática não mudaria muito, pois dos atuais 513 deputados federais eleitos pelo atual sistema de eleição em 2014, 467 deles (91%) conquistariam da mesma forma uma cadeira na Câmara se já estivesse em vigência naquele pleito o distritão.

Quem sofreria com esse modelo seriam os partidos menores que não poderiam se valer de um puxador de votos para colocar outros representantes dentro das Câmaras e Assembleias Legislativas.