Tramita na Câmara de Palmas um projeto de lei (PL) cujo objetivo é alertar a população sobre dois problemas: a depressão infantil e a violência autoprovocada na adolescência. A iniciativa é da vereadora Laudecy Coimbra (SD), que, preocupada com os crescentes números de casos no país, decidiu levar o assunto para discussão no plenário e recebeu o apoio de vários colegas parlamentares.

“Em todo o Brasil se tem notícias principalmente de adolescentes que chegam a tirar a própria vida por causa da depressão. As políticas públicas são necessárias para minimizar esses casos e informar a população sobre o problema, que infelizmente é uma realidade nos municípios brasileiros”, defende a vereadora.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um alerta este ano mostrando que o índice de crianças entre 6 e 12 anos diagnosticadas com depressão saltou de 4,5% para 8% na última década. Apesar de não haver dados estatísticos, estima-se que no Brasil a incidência da doença na população entre 0 e 17 anos gire em torno de 1 a 3%. Isso quer dizer que aproximadamente oito milhões de jovens sofrem com de depressão.

Para a psicóloga da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Karla Barbosa Klein, a criação de uma campanha permanente é importante porque leva mais conhecimento à população. “A depressão e a violência autoprovocada são assuntos que devem ser trabalhados dentro das escolas, das casas, porque precisam ser discutidos. A questão da depressão infantil é ainda mais grave porque o adulto não acredita no sofrimento emocional da criança e, se não tratada na infância, essa criança pode se transformar em um adulto deprimido”, frisa.

Já a violência autoprovocada na adolescência está relacionada com as tentativas de suicídio, o próprio suicídio, a automutilação e a autoflagelação. Números levantados no Mapa da Violência 2017 demonstram que a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos aumentou 27,2% no Brasil.

Sobre esse problema, a psicóloga explica que é necessário fazer um acompanhamento com o auxílio de profissionais. “A sociedade precisa funcionar como uma rede de apoio a esses adolescentes. Então quando esses jovens demonstram sinais de que estão deprimidos, eles precisam ser acompanhados e, se necessário, encaminhados aos serviços adequados”, explica Karla.

Depressão

A depressão é uma doença grave e não afeta apenas os adultos, podendo ser diagnosticada ainda na infância. Em muitos casos as crianças começam a demonstrar sinais de que estão deprimidas, mas o diagnóstico costuma ser mais complicado. Isso ocorre principalmente porque elas não sabem explicar o que estão sentindo e, portanto, cabe aos pais detectar a doença. O problema é que a condição ainda é pouco conhecida pelas famílias e a sociedade.

Projeto de Lei

O PL prevê a criação de uma campanha permanente de conscientização da depressão infantil e violência autoprovocada na adolescência. Conforme o documento, o Executivo deve designar uma equipe de profissionais vinculados ao tema e que integram o quadro de servidores da Saúde, Assistência Social e Educação, para executarem a campanha.

“Essa equipe pode atuar nas escolas e ajudar pais e professores a lidar com esses problemas. Os docentes, inclusive, já percebem jovens que aparecem com machucados na sala de aula. Eles usam blusa de manga longa para cobrir as feridas e esse é um dos comportamentos que podem ser observados. Por isso é muito importante que essa campanha seja levada às escolas”, destaca a parlamentar.

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