Juarez Pereira de Jesus, mora com a família em Fort Myers,mas seguiu para a Geórgia com medo do furacão. Foto: Paula Kasparian.

Milhares de moradores que saíram da Flórida e foram em direção à Geórgia estão encontrando apoio de outros brasileiros por lá. Nas últimas 24 horas encontrar um quarto de hotel virou uma missão quase que impossível. Sabendo disso, a comunidade brasileira abriu suas portas e está recebendo não só os brasileiros, mas também americanos que estão sem onde ficar.

Diversos grupos na região de Marietta, onde estão a maioria de brasileiros, se organizaram e estão arrecadando alimentos e colchões. Denise Zinkoski da Silva, brasileira, mora nos Estados Unidos há 18 anos está com 40 casas disponíveis para abrigos. Segundo ela, nos últimos dias já foram realocadas 300 pessoas, entre brasileiros e americanos.

Luiz Wesley de Souza recebeu duas famílias e agora são sete pessoas a mais em sua casa. “Meu amigo que mora em Tampa precisou ouvir o Governador para se convencer a sair de casa. Com ele veio uma família que eu não conhecia, mas estamos abastecidos para ficar bem”. Sua expectativa é que em 10 dias tudo volte ao normal.

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Quem pegou a estrada conta que a tensão de conseguir chegar em um lugar seguro foi maior do que os quilômetros rodados. Juarez Pereira de Jesus, morador de Fort Myers, estava com tudo pronto em casa. “Pretendíamos ficar, mas quando anunciaram o tamanho e a intensidade do furacão resolvi fugir” Ele viajou em um comboio de 15 pessoas e trouxe sua família com esposa, cunhado e três filhos. Todos ficarão em um apartamento cedido pela comunidade.

Além das casas, a população pode contar com abrigos. A igreja Videira está com 37 pessoas em um abrigo próprio e já tem 25 casas lotadas.

Acostumados com esse tipo de auxílio, o pastor Napoleão Pinto e sua esposa Jackeline contam que esse está sendo o mais doloroso episódio “Dessa vez tive que sair para chorar. Muitas pessoas ligaram pedindo ajuda. Gritavam e diziam que estavam com medo de morrer”. Lamentou o pastor. “A partir do momento que se tem filhos, tudo muda. Você não corre riscos e não quer ver eles passarem por esse trauma”, completa Jackeline.

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Quem estiver na estrada pode contar com o auxilio desses brasileiros. O grupo, do Facebook, Mulheres Brasileira em Atlanta responde rapidamente e encaminha famílias ou a igreja Videira, em Marietta – e-mail napoleao@gmail.com

Matéria: Paula Kasparian, para o Gazeta Georgia.

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