Por Francisco Vieira Vieirinha

DRT – 0001018/TO

Aqueles que acompanham o noticiário mais de perto puderam ver o intenso debate que se travou essa semana. Os assuntos a nível nacional foram os mais diversos, passando pela chamada ‘cura gay’ até a polêmica declaração de um general defendo o controle do país pelos militares. Coincidência ou não! Dona Marta a ordem é cessar fogo. Aqui em Palmas por outro lado tivemos o episódio da greve dos professores do município onde até greve de fome ocorreu. O estranho é que tinha gente atacando o direito dos professores fazer greve e dizendo que ganham bem. Deveriam se informar sobre quanto ganha um professor nos Estados Unidos, Europa, Cingapura para ver a razão do sucesso destes lugares. Iriam se dar conta que a valorização dos professores é hoje a principal forma de incentivar os educadores a prosseguir com a missão de transformar o futuro de uma nação.

O que todos estes temas revelam é uma profunda divisão da sociedade que se classifica em “direita” ou “esquerda”. A participação dos brasileiros que expressam opiniões consistentemente conservadoras ou liberais duplicou nos últimos anos. O acesso a informação e noticias reais, falsas, de todo tipo nas redes sociais, aliado a crise econômica, aos escândalos de corrupção resultou numa guerra ideológica. Por isso as pessoas se dividiram e são agora ou mais conservadoras ou mais liberais. Nas redes sociais se percebe que todos tem uma opinião. E os mais radicais nos seus pontos de vista, estão altamente envolvidos na política e assumem posições que estão na maior parte em consonância com a inclinação ideológica do seu partido. Não é dificil distinguir entre aqueles que apoiam a direita ou a esquerda. Eles estão por todo lado, nos grupos e nas redes sociais prontos para defenderem todas as inconsistências e escândalos dos seus ídolos políticos e para atacar quem ouse pensar diferente deles.

Os temas que dividem a direita e a esquerda são muitos, como porte de arma, aborto, liberação da maconha, casamento de homosexuais entre outros numa lista que parece infinita. Todos os lados querem estar certos e não aceitam opiniões diferentes. É a política de nós contra eles, e é sempre o mesmo nós e sempre o mesmo eles.

Francisco Vieira Vieirinha

Mesmo os que gostam de um argumento espirituoso sofrem de cansaço dessa polarização. Não há alívio. Toda hora chega um vídeo novo no grupo. Os brasileiros estão altamente polarizados. Podemos culpar políticos, grandes doadores de campanha, ativistas ou a mídia ideológica por isso – mas são apenas intermediários. Eles não são a fonte de polarização. Nós somos.

Nada disso mudará em breve. Mesmo as mudanças demográficas com muitos jovens se tornando eleitores não reduzirá o fosso entre os defensores ideológicos. Ainda assim, o conflito não precisa ficar com uma fervura constante; o calor pode ser deslocado para cima ou para baixo por circunstâncias. Os brasileiros deveriam se unir neste momento de crise, como fizeram os americanos durante a Grande Depressão e Segunda Guerra Mundial, ou após o 11 de setembro.

Infelizmente, os incêndios da polarização entre direita e esquerda serão alimentados nos próximos meses por uma campanha eleitoral contenciosa com candidatos populistas e um eleitorado cheio de medo e aversão a politicos . O cidadão quer sobreviver a esta eleição da gaiola e chegar ao final dela com alguma esperança de dias melhores. Os Brasileiros de esquerda, direita e centro sempre quiseram paz, prosperidade, crescimento econômico robusto e tranquilidade. Uma nação menos estressada poderia ser melhor capaz de lidar o que vem pela frente. E tenho dito.

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