Por Francisco Vieira – Vieirinha
Jornalista e Publicitário

O discurso essa semana do Humorista-Deputado Tiririca merece uma reflexão. Quando até mesmo um comediante fica sério e diz que o circo está pegando fogo, é sinal de a coisa não anda mesmo bem.

Durante anos, a sociedade foi condicionada a acreditar em mitos sobre a classe politica. Os heróis desse mito eram das famílias tradicionais, cidadãos esclarecidos que se acreditava terem a força intelectual para dirigir a sociedade. Em alguns lugares as pessoas ainda tratam a elite governante pelo nome de “doutores(as)”, em respeito pela virtude de suas conquistas. Mas os escândalos que se avolumam, como no caso do Rio de Janeiro, tem mostrado o contrário. Na verdade muitos desses burocratas afundarem o estado para enriquecer a suas custas.

Deve-se dizer que as pessoas à esquerda e à direita que tentam usar a política para encontrar seu significado moral estão transformando a política em um ídolo. A idolatria é o que acontece quando as pessoas dão sua lealdade final a algo que deveria servir apenas a um propósito intermediário, seja poder, sucesso, drogas, redes sociais, álcool.


Quando a política é usada como uma cura para a solidão espiritual e social, é mais difícil conquistar pessoas com argumentos filosóficos. Tudo é moldado em um nível mais profundo, através das parábolas, fábulas e mitos que os grupos que povoam as redes sociais usam para se definir.

O que você vê hoje são pessoas boas que tentam desesperadamente achar um herói que vá dar um jeito na situação da nação. O país está frágil, sem famílias estáveis, comunidades apertadas.

Há apenas um turbilhão de sentimentos, pessoas com suas distrações no telefone, enebriadas pelo circo e as referências de cultura pop, problemas de estresse financeiro e bebida crônica, o que torna mais difícil criar raízes em algo ou até ter uma narrativa espiritual que dê sentido à vida .

Por isso mesmo muitos ficam defendendo A, B, C . Hoje, o partidarismo para muitas pessoas não é sobre qual partido tem as melhores políticas, sobre qual partido tem melhor filosofia. Hoje em dia, o partidarismo é muitas vezes totalitário. As pessoas freqüentemente usam identidade partidária para preencher o vazio deixado pelo seus outros vínculos que desaparecem – religiosos, étnicos, comunitários e familiares. Para muitos este partidarismo assume a forma de um vínculo visceral, até subconsciente.

A política nos dias de hoje faz exigências categóricas às pessoas. Exige que permaneçam em estado de dormência causada por esse ou aquele escândalo ou ódio do momento. Mas na verdade não transforma a vida nem consegue preencher o buraco deixado pela falta de outras respostas. Se a política vai melhorar, precisamos de melhores mitos, unificadores construídos sobre a igualdade social. Mas também precisamos colocar a política em seu lugar. A dependência excessiva da política deve ser substituída por dependências mais importantes, seja a família, a amizade, o bairro, a comunidade, a fé. Nossa política provavelmente não pode ser consertada por meios políticos. Precisamos mudar as comunidades e da comunidade sairão líderes que poderão transformar a política.

Se parássemos para pensar deveríamos estar tristes, que um cidadão do povo como Tiririca, foi incapaz de em 2 mandatos fazer algo para mudar o país. E por esta mesma ótica como esperar que elegendo outras pessoas simples como ele ano que vem, algo vá mudar? O que será que saiu errado que o Tiririca não pode mudar nada? Cada um busque a sua resposta. E tenho dito.

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