Da Redação JM Notícia

A chegada dos evangélicos nas tribos mudou os costumes, as crenças e a forma como os índios se relacionam com os pajés

Nesta quinta-feira (26) estreia nos cinemas brasileiros o documentário “Ex-pajé” que denuncia a evangelização de cristãos em tribos indígenas brasileiras ao relatar a vida do pajé Perpera Suruí que vice no território indígena dos paiter suruís, entre Rondônia e Mato Grosso.

O filme relata que nas últimas quatro décadas os pastores evangélicos levaram a maioria dos 1.500 índios da tribo a se converterem e o pajé passou a sofrer pela perseguição religiosa.

Ele relata à família que sente medo dos espíritos da floresta que batem nele todas as noites, bravos por conta da atuação da igreja da tribo. “Eu não consigo dormir no escuro”, diz o líder religioso no documentário, exigindo que a lâmpada seja consertada imediatamente para que ele possa dormir sem medo.

O filme mostra que pela conversão dos índios, o pajé perdeu sua influência e precisou se apresentar como “ex-pajé” para ser recebido socialmente, pois com o tempo ele deixou de receber remédios, bolsa de assistência social e até mesmo carona para ir até a cidade.

VEJA TAMBÉM
CIADSETA realizará ação social e evangelística em Silvanópolis pelo COMECI

Perpera lembra que antes da chegada da igreja os espíritos da floresta ajudavam os índios a conseguirem peixe para se alimentar. “Os espíritos apareciam para nós, diziam que iam arrumar peixes e os entregavam em nossas mãos”, revela. “Depois que o pastor disse que pajé é coisa do diabo, ninguém mais falou comigo. Viraram o rosto para mim. Isso só acabou quando eu entrei na igreja”, completa.

O documentário também mostra a visão de especialistas sobre a evangelização dos índios paiter suruís. Eles comparam com as cruzadas portuguesas do século XVI e condenam os missionários evangélicos que escolhem fazer missões com as tribos brasileiros.

O diretor do documentário, Luiz Bolognesi, relata como os costumes e tradições daquele povo foram modificados com a chegada dos evangélicos, citando como exemplo a vestimenta pois o nudismo dos índios foi substituído por uma camisa de manga longa e grava.

“A igreja também condenou a nudez, considerando-a uma ofensa a Jesus. Colares típicos da cultura local só podem ser usados em festas. A chicha, que é uma bebida dos religiosos, e as canções também não são mais aceitas”, explica. Bolognesi diz que os índios que não se convertem enfrentam perseguição religiosa e que muitos índios, quando estão doentes, procuram os pajés escondidos com medo dos pastores. Com informações Gazeta Online