Por Pr. Magdiel G Anselmo.

PASTORES DIVORCIADOS
Como pode um pastor proferir os votos conjugais para um casal de noivos, se ele mesmo não cumpriu na sua vida?

Pela relevância do tema, preciso antes de analisá-lo, lembrar o contexto e a realidade  de desconfiança e incredulidade que se encontra a Igreja Cristã em nossos dias.

Hoje observamos que as pessoas, mesmos as cristãs, já não acreditam na eficácia e eficiência da Igreja como uma organização abençoadora e participante dos propósitos de Deus neste mundo. Antes, a consideram “falida” e ineficaz para propagar a Palavra de Deus e para cuidar de vidas.

Por que isso ocorreu? O que levou as pessoas a pensar desta forma?

Bem, são várias as respostas para estas questões, mas a que considero mais chocante é que a maioria dos cristãos perdeu a confiança em seus pastores e líderes, e não os consideram mais um “padrão” (exemplo) para os fiéis. Essa desconfiança fez com que não os respeitassem mais e não os considerassem como conselheiros e guias adequados para ajudá-los em seus dilemas e problemas diários.

E como os pastores e líderes perderam a confiança do rebanho de Cristo?

A resposta é que simplesmente não fizeram, não praticaram em suas vidas, o que ensinavam e pregavam aos demais irmãos. Foram incoerentes e inconseqüentes, e mais, foram infiéis ao que nos ensinam as Escrituras. Negaram com suas ações tudo aquilo que a vida inteira afirmaram ser a verdade bíblica, a verdade de Deus para a Igreja.

Uma destas incoerências se deu e se dá pela epidemia de pastores e ministros evangélicos que se separam e se divorciam de suas esposas e se casam com outra.

O divórcio e o adultério invadiram a igreja, enquanto ovelhas e pastores igualmente demonstraram pouco ou nenhum interesse para com esta contaminação, mais e mais ministros entraram para o sistema mundano do “casa-separa-casa-separa”, criando uma atmosfera de epidemia na igreja. A racionalização reinou suprema em detrimento da Palavra de Deus.

E aí então, entramos propriamente no assunto e questão principal deste artigo, ou seja, podem estes pastores e ministros prosseguirem pastoreando e liderando o povo de Deus após terem essas atitudes e postura?

A resposta é rápida e simples: NÃO !

E porque digo isso? Porque a Bíblia os considera repreensíveis para o ministério pastoral.

A seguir demonstro biblicamente, porque afirmo isso, enumerando algumas razões que impedem um pastor de continuar com seu ministério após se separar, se divorciar de sua esposa:

1ª RAZÃO:

Porque Ele passa a NÃO ser um exemplo dos fiéis.

Em I Tim. 4:12, Paulo exorta ao pastor Timóteo para que seja “…o padrão (exemplo) dos fiéis…” O homem que está no segundo, ou até no terceiro casamento, não pode ser exemplo dos fiéis, por não ser esta a vontade de Deus para o seu povo: Ele odeia o divórcio (Mal. 2:16). Os jovens de tal igreja estariam automaticamente, levantando a possibilidade de os seus futuros casamentos, se não derem certo “como o do pastor”, o divórcio seria uma opção e ainda Deus os estaria ainda abençoando após algumas “tribulações…” Desastroso exemplo seria também para os que entrarão ou já estão no ministério pastoral. O Cristianismo verdadeiro não segue o lema de “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Paulo disse “sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (I Cor. 3:15). O ministério pastoral não é para qualquer um, mas para os que tem condições morais de dar exemplo (Heb. 13:7).

2ª RAZÃO: Porque ele NÃO é mais irrepreensível.

Em I Tim. 3:2 temos as qualificações para o pastor: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível…” A palavra traduzida por irrepreensível usada no texto acima é do grego “anepleptos”. Ela aparece 3 vezes no Novo Testamento, a saber: I Tim. 3:2, 5:7 e 6:14. O significado é sempre o de alguém de quem não se pode falar nada contra, sem mancha, sem culpa, inacusável. Independente de ser ou não o causador do divórcio ( se é que existe tal condição ), o homem que passou por esta experiência não se encaixa nas exigências bíblicas, e será usado pelo diabo para escandalizar e envergonhar o Evangelho. Existe “pastor” que se casou em rebeldia contra os conselhos dos pais, de amigos e até de seus pastores atraindo as maldições do Senhor. Tal flagrante violação da vontade de Deus, tornou tal crente o único responsável pela falência do seu próprio casamento, desqualificando-o de uma vez por todas, para o exercício do pastorado.

3ª RAZÃO: Ele Não é mais marido de UMA SÓ mulher.

“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher…” (I Tim. 3:2). A expressão “marido de uma mulher” significa muito mais do que o leitor superficial possa imaginar e não é como alguns afirmam equivocadamente “uma esposa de cada vez”. Ora, isso seria um convite e uma motivação para vários casamentos, e não penso que a Palavra de Deus concorda com esta teoria. O ensino é que a mulher com quem o bispo, pastor é casado é a sua primeira e única! Não tem nada a ver com a condenação de relacionamentos simultâneos, o que seria adultério. Entretanto, existe uma linha de interpretação aqui defendida por muitos, que situa esta orientação baseado numa suposta condenação da poligamia. Penso que seria um absurdo tão redundante e flagrante o pecado da poligamia que Paulo não precisaria se referir a ela para uma pessoa especial como o bispo. O que realmente está em jogo aqui é a conduta ilibada e irrepreensível do pastor no seu relacionamento singular com a sua primeira esposa. Em algumas versões bíblicas, o texto fica ainda mais claro e aparece assim: É preciso, porém, que o dirigente seja irrepreensível, esposo de uma única mulher… ou ainda, diz: É, porém, necessário que o inspetor seja irrepreensível, que não tenha sido casado senão uma vez…

Veja o verso afim em I Tim. 5:9. “…e só a que tenha sido mulher de um só marido.” É óbvio que a viúva a que Paulo se refere, só poderia receber auxílio da igreja se tivesse vivido com um só homem. Por estar ele morto não haveria outro. Esta é a mesma construção gramatical que se refere a situação do pastor, apenas invertendo-se os substantivos. A ênfase em I Tim. 3:1 sobre a vida conjugal do pastor é tão flagrante, que a mesma palavra que é usada para expressar a unicidade da mulher da sua vida, é usada também em todas as vezes no Novo Testamento para expressar que marido e mulher se tornam uma só carne. O homem que se divorcia e se casa com outra mulher não reverte o se tornar uma só carne com a primeira, portanto ele não é mais marido de uma só mulher nem na singularidade nem na ordem numeral. Se voltasse para a primeira mulher cessaria o adultério, mas a desqualificação está selada para sempre.

3ª RAZÃO: Ele Não tem mais autoridade para orientar nem aconselhar.

Certo pastor, que estava no segundo casamento, teve a audácia de, ao pregar numa determinada igreja, mencionar a sua indignação ao se deparar com colegas que estavam no segundo casamento… Tal falta de honestidade e coerência nos faz lembrar a advertência do Mestre que disse “Ou como dirás ao teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho; estando uma trave no teu” (Mat. 7:5). O divorciado não pode pregar numa igreja como pastor, muito menos aconselhar os casais crentes sobre família, porque a sua não é mais exemplo. Se tentar aconselhar estará sendo hipócrita, se não aconselhar estará sendo omisso com o ministério mutilado.

Como um pastor divorciado poderá aconselhar um casal que está com problemas no casamento? Com que autoridade ele dirá para lutarem pelo seu casamento, para se perdoarem e buscarem a reconciliação se ele mesmo não conseguiu fazer isso? Como esse pastor aconselhará um jovem casal prestes a se casar orientando-os que o casamento é um compromisso até a morte se ele mesmo não cumpriu isso?

Não tem jeito, o Cristianismo não funciona segundo palavras vazias, mas com exemplo de vida. Mesmo que o homem não tenha se casado novamente, a situação de separação da primeira esposa já o desqualifica para o pastorado, pois não conseguiu, falhou, fracassou em “governar sua própria casa”.

4ª RAZÃO: Ele contradiz a própria Palavra que prega, por exercer, em rebeldia, uma posição para a qual Deus não o permite mais…

Quando o pastor sobe ao púlpito para pregar, ele não pode expressar as suas opiniões. Ele tem que entregar uma mensagem que não é a sua. Ele tem que pregar a Palavra de Deus em obediência a Cristo. Se o pregador está em rebeldia no seu viver, ele está desqualificado para pregar. Suas palavras são vazias e sem poder. Não importa o que a igreja pense, o tamanho da congregação, ou quantas conversões acontecem: o seu líder nessas condições está sem a bênção do Senhor, não importando os “sinais externos”: os resultados não autenticam a fonte (I Cor. 3:13-15).

A verdade é que ele seria um desastre espiritual a médio e longo prazo para a Igreja que o aceitar. Não se pode colocar o pecado em compartimentos. Quando ele entra na igreja sob a forma de omissão e rebeldia contra a Palavra de Deus, qual fermento se espalha para vários outros setores. Com o pecado não se brinca. A tendência do homem é o pecado, principalmente na área de família e sexo. Na igreja isto também se verifica. Se a liderança não tem os padrões de Deus, a degeneração dos crentes é certa. Os líderes cristãos não podem ser egoístas, buscando seus interesses a curto prazo, nem status de liderança para encobrir pecados pessoais.

Se os padrões são decadentes, pode-se esperar que os crentes que se desenvolveram dentro do ambiente de tolerância com o pecado serão cada vez mais decadentes, frios e finalmente apóstatas. Veja as advertências do Senhor às 7 igrejas do Apocalipse. A igreja local também não deve aceitar um pastor divorciado. Eles estariam em rebeldia contra a Palavra de Deus, independente do número de votos que homologou a aceitação. Os crentes sérios que porventura pertençam a tal igreja deveriam imediatamente se retirar dela, recusando submeter-se a um líder desqualificado e não aprovado por Deus. O voto da maioria nesse caso não opera a vontade de Deus (Ex.23:2).

5ª RAZÃO: Ele desonra o gesto prudente de ex-pastores que abandonaram o ministério por fracassarem no casamento.

Há diversos casos de pastores que, apesar de terem o chamado de Deus para o ministério, tiveram a dignidade e a nobreza de abandoná-lo após se desqualificarem devido ao divórcio, separação ou conduta. Quando alguém insiste em permanecer no ministério nessas condições está desonrando a Deus e a esses homens dignos que entenderam que não era mais a vontade de Deus a sua liderança sobre o Seu povo. Quando alguém assim permanece no ministério, na verdade está se julgando muito importante e indispensável para o trabalho de Deus (Luc. 17:10).

6ª RAZÃO: Ele destruiu o modelo de compromisso indissolúvel entre Cristo e sua Igreja.

O relacionamento eterno entre Cristo e os salvos, é comparado com o do marido e esposa cujo compromisso não é para ser quebrado (Efésios 5:22-33). Cristo sempre teve a Sua igreja no mundo, e em certos períodos, sobraram apenas poucos, que foram perseguidos, traídos, torturados, sepultados nas celas das masmorras, martirizados por sua fé, ou obrigados a fugir para a fortaleza das montanhas e para as covas e cavernas da Terra, mas continuaram guardando os mandamentos de Seu Pai.

7ª RAZÃO: Ele Não pode celebrar casamentos: “Até que a morte os separe” (Rom. 7:2-4, I Cor. 7:39)

Como pode um pastor proferir os votos conjugais para um casal de noivos, se ele mesmo não cumpriu na sua vida? Ou teremos que mudar os votos matrimoniais para: até que o divórcio os separe?

8ª RAZÃO: Ele está contribuindo para a degeneração dos padrões familiares.

Se pastores, tendo suas famílias dentro dos padrões bíblicos, já sofrem com a desintegração de várias famílias dos membros, imagine se do púlpito vem o péssimo exemplo do fracasso conjugal. Nesse caso os fundamentos da família estão abalados para as gerações seguintes (Sal. 11:3).

O divórcio é uma ameaça para a família cristã. As suas consequências são devastadoras para a família. Por esse motivo “… o Senhor Deus de Israel diz que aborrece o repúdio…” (Mal. 2:16). O homem que foi chamado para anunciar a Palavra de Deus como pastor não pode ser divorciado, muito menos casado pela segunda vez. Se alguém está nessa triste situação deve ter a humildade suficiente de abandonar o ministério urgentemente para não causar mais prejuízos ao testemunho do Evangelho e procurar exercer os seus dons fora da liderança da igreja, pois o seu chamado acabou tão logo tenha ocorrido a desqualificação.

Considerações Finais.

Para os crentes que desfrutam a bênção de ter o seu casamento dentro da vontade de Deus, fica o alerta para, humildemente, reconhecer a Graça do Senhor (I Cor. 10:12) e buscar em fervente oração, forças e discernimento para combater as armadilhas do maligno para a destruição da família.

O pecado sexual geralmente se faz acompanhar de outros. Ao se divorciar (cometendo adultério ou não), uma pessoa quebra pelo menos cinco princípios bíblicos: Coloca o desejo pessoal acima de Deus, rouba, cobiça, dá falso testemunho e quebra a aliança: “até que a morte os separa”, ou o “que Deus uniu, não separe o homem”.

Em razão da vergonha decorrente do pecado sexual, há a forte tendência de cometer pecados para encobri-lo. Se alguém tivesse dito ao rei Davi que embebedaria um homem e depois o mataria, ele não acreditaria. O pecado sexual, porém, o tornou mentiroso, ladrão e assassino.”

Penso sinceramente que pastores que se divorciaram não precisam e não devem estar pastoreando, eles precisam sim é de ajuda, pois estão fragilizados e necessitados de atenção e amor da irmandade. Mas, essa ajuda não pode ser exercida em sua integralidade se teimarem em prosseguir pastoreando. Precisam, reconhecer que fracassaram e que precisam continuar agora servindo a Deus de outra forma e em outras áreas. Essa é a verdade, uma triste verdade, mas a pura verdade.

Portanto e finalmente, afirmo sem medo de errar que um pastor que cai em adultério, ou que se divorcia por outras razões, casando ou não novamente, pode e deve ser restaurado no Corpo de Cristo, o perdão de Deus também alcança pastores, mas para o ministério pastoral se tornou reprovado!

 

4 Comentários

  1. Concordo que o pastor divorciado perde certa autoridade diante da igreja (o quanto perde, isso “vareia”.) Todavia ele pode recomeçar, se preciso for, mudando de igreja, cidade, estado e até país. Entretanto, reunindo tudo o que foi escrito aqui, fica parecendo que pra todos os pecados tem perdão, mas pra o divórcio por rejeição do cônjuge ou diferenças irreconciliáveis não, né? Na bíblia do escritor aqui deve estar escrito ,,,”comete adultério, para o qual não há perdão”. Detalhe: não sou divorciado, mas bem casado há 35 anos?

  2. Felicitações
    prezado irmão. Pouquíssimos pastores estão capacitados hoje para
    expedir parecer sobre assunto tão delicado. O que se vê é um
    conhecimento raso sobre o divórcio em que poucos são capazes de
    discernir pelo Espirito de Deus as variáveis que levam a dissolução de
    um casamento. Questóes como “abandono” conjugal são citados em 1Co. Cap 7
    e que além do adultério também impossibilita a continuidade do pacto
    conjugal. Há ainda a parte inocente, a vítima do adultério como ocorre
    em alguns casos. Geralmente os juízes de plantão são semi-analfabetos
    bíblicos e me refiro a classe pastoral da qual
    também faço parte a 18 anos. A falta de discernimento espiritual acerca
    do assunto é gritante. Princípios bíblicos como de Ezequiel 18
    (responsabilidade pessoal) onde o próprio Deus não imputa culpa ao
    inocente deixam de ser observados. Mas os burros querem imputar culpa ao
    inocente, como se já não bastasse o trauma da separação. Costumo dizer
    que em casos difíceis devemos agir como o apóstolo Paulo, ” não
    consultar nem carne , nem sangue” , enfim não dar ouvidos aos que os
    outros acham ou pensam, e sim se importar com o que Deus diz e pensa
    sobre o assunto. Geralmente os “teólogos rasos, teólogos piratas”. são
    uns inúteis na seara do Senhor, digo sem medo de ser feliz pois conheci
    muitos assim, são descarados, hipócritas, vivem de aparência, vivem
    casamentos de aparência, seus conjugues são infelizes, pois casaram-se
    com preguiços, desonestos, avarentos, sem compaixão pelas almas, servos
    inúteis, que querem com seus comentários paralizarem aqueles que ainda
    se doam a causa do evangelho, mesmo que feridos, como é o caso de
    obreiros que passaram pelo divórcio, sem o desejarem, mais obrigados por
    motivos forçosos, que somente o Criador para entender a fundo a
    questão, concedendo-lhes a graça para continuarem a jornada. Digo ainda
    meu irmão, não perca seu tempo dando idéia pra doidos, pois quem dá
    idéia pra doido é psiquiatra. Vc é psiquiatra… Se não for pára de dar
    idéia pra alguns doidos. E isso que eles querem, ibope com suas
    burrices, pois ninguém os admira em suas igrejas, eles é que não são
    exemplo dos fiéis e não percebem, estão cegos. Fique na paz, de seu
    irmão em Cristo. Escrito por Pr. Hélio Leitão (Bacharel em Teologia,
    Pós-Graduado em Ciências da Religião, Diretor de Intituto Teológico,
    Coordenador Regional de EBD, Diretor de Diáconos, Pastor desde 1998, e
    principalmente servo do Senhor Jesus , meu maior orgulho. )

  3. Graça e paz!

    Hoje, observamos claramente que uma das obras mais eficazes de Satanás, é a ruína da família. Lares destruídos são facilmente vistos em todos os bairros de nossas cidades. Isso é triste.
    A luta pelo casamento tem sido esquecida aliás, a família sequer tem sido notada como base social.
    Para piorar, vemos partes do corpo de Cristo, com a mesma mentalidade secular onde, “caso-me e se não der certo, separo-me”.
    É lastimável e, de fato, em muitos caso, este tema é absurdo. Devemos lutar com todos os esforços pela manutenção da família. Mas, observo generalizações na fala do irmão.

    Permita-me, por favor, discordar de alguns ponto da fala do notável irmão. Sei que este texto é um grito para preservar a base familiar, entendo isso e não questiono o apelo, eu aplaudo este apelo, claro que concordo com o apelo, mas, não compactuo com algumas opiniões, como se todos os Pastores evangélicos que passassem por este dissabor estivessem na “barca dos canalhas”. Há casos onde, infelizmente, a ruptura conjugal é independente do querer o não vontade do ministro do evangelho.

    O ilustre irmão, logo nos dois primeiros tópicos diz que o pastor deixará de ser um exemplo para a igreja. Usou um texto onde Paulo faz referência clara a poligamia e não ao divórcio e, diz que a igreja o olhará como alguém que não conseguirá respeito dos fiéis, também usa Paulo aos Coríntios mas, lembre-se Paulo, mais adiante, nesta mesma carta, aconselha que os crentes sequer, se casem. Levaremos a cabo este conselho também? Melhor será um pastor solteiro?
    Indo um pouco a diante, penso que este argumento posto, para ser justo, precisa necessariamente, advogar contra todos os pecados, não apenas contra um. Ou seja, um pastor divorciado não poderá continuar pastor assim como o líder eclesiástico que cometa qualquer tipo de pecado relatado na Palavra de Deus também precisará se afastar. Não podemos imaginar que um pecado desautoriza a liderança pastoral mais que outros. E, digo sobre todos.

    Sobre dar conselhos, também não vejo com o mesmo olhar do amado irmão. Ora, alguém que faliu uma empresa e agora, tem outro negócio próspero, tem mais Know How de orientação empresarial que quem nunca empreendeu dinheiro em nenhum negócio. Da mesma forma, um pastor que já foi envolvido com consumo de drogas, também pode orientar outros irmãos sobre como é terrível este mundo e, também, apresentar como se livrar dele. Penso que isso se aplique da mesma forma em caso de fracasso matrimonial, o fato de um líder ter tido um casamento que desmoronou, não necessariamente, o impede de ser um bom concelheiro sobre o tema. Repito, não podemos colocar todos os problemas conjugais na costas de apenas uma parte do casamento. E, nem podemos colocar todos os pastores que passam por este problema na “barca dos canalhas”.

    Também não concordo com a ideia de que ele não possa celebrar casamentos. Claro que pode! E, que diga: até que a morte os separe!!! Isto é, além de tudo, uma forma de abençoar o casal de noivos. O divórcio não deve ser pensado e nem desejado, deve ser ato limite, a exceção a tudo. O passo final depois de todas as tentativas viáveis.

    Também não penso que o fato de um pastor se divorciar, todos os outros divórcios estarão na conta da separação dele. Assim como o suicídio de líderes religiosos não gera uma igreja suicida.

    Claro que, eu não estou fazendo apologia ao divórcio, longe disso. Sabemos que a família é bênção de Deus, é a base social. O que faço aqui é observar que alguns pontos extremos deste argumento, levados ao pé da letra, mais afasta quem passou por este problema que abraça que precisa de ajuda. Pois, no nível de Cristo, todos somos adúlteros e assassinos, mesmo que não cometamos os atos físicos.

    Faço a defesa de alguns líderes, mesmo que não os conheça, que sofreram por não conseguirem manter seus casamentos. Faço a defesa de Pastores que tem um chamado de Deus e que, por conta de algo deste tipo, não podem o exercer. No fim das contas, com o peso dado ao tema, o divórcio impede o chamado de Deus para vida de uma pessoa, e, aliás, faz do divórcio uma força maior que a força do chamado do próprio Deus, algo que impede o propósito de Deus na vida do líder.

    Não faço aqui, defesa de quem foi canalha. Não penso que o divórcio é solução para problemas e nem estou de acordo com a banalização das separações nas igrejas. Apenas, penso que este tema é mais denso que o proposto e precisa ser avaliado caso a caso.

    Que o Senhor abençoe a você e a toda a sua família, sempre!!!

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