Da Redação JM Notícia

Kleber Lucas é cantor e pastor da Igreja Batista Soul

O cantor Kleber Lucas comentou sua participação no evento que aconteceu no terreiro de candomblé em Duque de Caxias (RJ) na última semana, quando uma igreja evangélica entregou R$ 11 mil reais para a reconstrução do centro que foi incendiado criminalmente em 2014.

Em entrevista ao site Curta Mais, Kleber Lucas declarou que sua participação vai contra a onda de ódio que é pregada por muitos líderes evangélicos.

“A atitude de alguns líderes de outra confessionalidade no sentido solidário é a melhor resposta a esse ambiente de ódio e intolerância que está varrendo nosso país num momento que precisamos estar mais unidos”.

Criticado nas redes sociais por cantar ao lado dos ogans, músicos do candomblé, Kleber Lucas reclamou dos evangélicos que são preconceituosos e levou a discussão para o lado racial.

“Estão me ferindo muito e me fazendo repensar minha caminhada. O que posso afirmar com toda certeza é que essas pessoas não entenderam a mensagem do Cristo. Nós ainda estamos falando de tolerância quando deveríamos falar de respeito”.

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Na entrevista, o pastor da Igreja Batista Soul declara que sofre preconceito na igreja por ser preto e por ter se casado três vezes. Ele fala também que no Brasil é grande o preconceito com as religiões de matrizes africanas.

“O Cristo que veio da Europa e dos Estados Unidos pelos missionários era branco. A religião europeia e americana eram as únicas que religavam. Do lado dos pretos, índios e outros, só os perdidos. A teologia que veio para o Brasil em sua grande maioria é racista e de segregação”, declarou.

Igreja apoiou o pastor 

Ainda nesta entrevista, Kleber Lucas declarou que foi recebido com carinho pelos membros de sua igreja que apoiaram sua ida ao centro de candomblé. “Domingo quando eu cheguei no culto da Soul, a igreja toda ficou de pé, aplaudiu e disse que eu não fui lá sozinho, que estão todos comigo. A melhor parte é saber que a Igreja Batista Soul não está sozinha nessa mensagem da grande irmandade e que podemos sim fazer um Brasil melhor. Tem muita gente do bem”.

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Deus não é exclusividade dos evangélicos 

O pastor e cantor fez uma crítica aos evangélicos: “Infelizmente algumas pessoas ainda pensam que Deus é uma exclusividade delas, eu não acredito nisso. Eu acredito numa fé que comunica com outras confessionalidades. Eu prego isso, eu vivo isso, eu estou pela justiça”.

Ele ainda dá seu ponto de vista teológico sobre a diferença religiosa. Precisamos aprender que cada ser humano é um, que o Pai é nosso, e que o Pai tem muitos filhos, diferentes, com pecados diferentes e que não podemos julgar nosso irmão por seu pecado ser diferente do meu. A diferença é o que mais nos aproxima da Trindade, que é a família de Deus. Podemos dialogar com todos”.