Da Redação JM Notícia

O Ministério da Saúde diz que todos os anos 700 mil mulheres abortam clandestinamente no Brasil

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva de Pesquisa revela que a maioria dos brasileiros é contra a descriminalização do aborto, declarando que a mulher que interromper a gestação deva ser punida. 

Foram 62% de manifestações contrárias ao aborto, 26% favoráveis, 10% não são nem contrários e nem favoráveis e 2% não souberam responder. 

Metade dos entrevistados declara ainda que a mulher deveria ser presa por praticar o aborto, número que muda quando o entrevistado conhece alguém que já tenha feito o procedimento. 

“Quando se humaniza o tema, os números são outros”, afirma a diretora de pesquisas do Instituto Locomotiva Maíra Saruê Machado. Ainda sobre conhecer quem fez ou fizer um aborto, 7% afirmaram que chamariam a polícia; 47% não fariam nada; 12% dariam apoio e 19% brigariam com a mulher. 

O estudo foi realizado ouvindo 1,6 mil pessoas de 12 regiões metropolitanas onde está concentrado cerca de 80% da população brasileira.  

O estudo é divulgado diante das polêmicas envolvendo a discussão na Câmara dos Deputados sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181 que pode criminalizar a interrupção da gravidez em todos os casos, inclusive os já permitidos na lei brasileira. 

  

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Dados do Ministério da Saúde revelados pelo jornal O Estado de São Paulo estimam que quatro mulheres morrem por dia no país após sofrerem complicações durante o aborto ilegal. 

Os mesmos dados afirmam que todos os anos 700 mil brasileiras interrompem a gestação. Quem defende a prática diz que, ao descriminalizar, o número de mulheres mortas por complicações diminuiria, ainda que nos hospitais as complicações também podem gerar sequelas e até levar à morte.