Da Redação JM Notícia

Uma ex-membro da Igreja Universal do Reino de Deus foi até a Justiça pedir para a igreja devolver os bens que ela havia doado por estar arrependida. A gaúcha Carla Dalvitt chegou na igreja por conta de problemas financeiros e foi levada a doar seus bens para conseguir um milagre.

Empresária, ela doou o carro que tinha na época e o dinheiro que possuía. Por não ter o “milagre alcançado”, Carla foi até a igreja tentar reaver seus bens, mas a denominação se negou a entrega-los. Foi então que ela e seu marido resolveram entrar com uma ação judicial contra a Igreja Universal.

Ela alega que estava “desesperada” pela situação financeira que enfrentava e que foi coagida a doar o que tinha na campanha Fogueira Santa. “E eu não sei o que me deu… Eu estava desesperada”, relatou a mulher.

“Depois disso eu fiquei na dúvida, pensei em desistir. Mas eles sempre falavam que tinha uma maldição para quem prometeu e não doou, que a pessoa ia ser amaldiçoada”, diz. “E eu fiquei pensando na maldição, com medo da maldição.”

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Ela vendeu o carro por um valor baixo e doou o dinheiro à igreja. Além disso, doou um colchão, um computador, dois aparelhos de ar condicionado que vendia em sua loja, joias,um fax, uma impressora e alguns móveis de cozinha que sua mãe havia acabado de comprar. Tudo isso escondido da família.

Quando seu marido descobriu ela entendeu que tinha feito algo errado, alegando ter sofrido lavagem cerebral. No mesmo dia ela foi até a igreja tentar reaver os móveis, mas a igreja não aceitou devolver nada. “A gente implorou, insistiu muito, mas eles disseram que não iam devolver.”

Ela registrou um boletim de ocorrência e o caso foi julgado pela Justiça. Na primeira instância, a  Igreja Universal se defendeu dizendo que não há comprovação da doação de itens como as joias e o dinheiro do carro. Porém a entrega dos celulares, da impressora e dos aparelhos de ar condicionado foi comprovada, e o tribunal entendeu que se tratava de “coação moral irresistível” e “abuso de direito”, por isso estipulou a indenização.

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A igreja entrou com recurso e no Supremo Tribunal de Justiça ficou definido que a igreja teria que pagar uma indenização de R$ 20 mil e devolver o valor de parte dos bens que a gaúcha diz ter doado. Ainda cabem novos recursos.