por Wagner Hertzog

O governo brasileiro tem um débito excruciante para com os venezuelanos

Tudo o que os venezuelanos sofrem hoje – tendo que fugir de uma ditadura brutal e corrosiva, que tem como dirigente máximo um tirano depravado, irascível e sanguinolento – é culpa direta do governo petista, que financiou diversas ditaduras socialistas no exterior, como a cubana, a guinéu-equatoriana e a angolana, além da venezuelana. Isto tudo era parte integrante de um grande projeto de poder, que buscava integrar todos os países do continente em uma grande nação socialista, na evasiva, discreta e conjunta colaboração do que pretendia ser uma espécie de versão latino-americana da União Soviética.

O que o governo brasileiro faz, atualmente, dando um amparo e uma assistência mínima à diáspora venezuelana, não é nem sequer uma justa reparação, mas o pagamento de uma dívida, e mesmo assim, um pagamento que está sendo realizado de forma parcial, irrisória e precária. Os venezuelanos têm direito a muito mais. Quem pode pagar, efetivamente, por tudo aquilo que eles perderam? Quem pode efetuar uma justa reparação pelos danos materiais, físicos e emocionais causados pelo ditatorial, corrosivo e destrutivo governo socialista? Quem pode compensar os venezuelanos pelo futuro que perderam, pelos familiares que, pelas mais diversas razões, não conseguiram deixar o país? Quem pode, de fato, se desculpar pela ruína irreparável na qual converteu-se o seu país, e pela a qual fomos cúmplices diretos?

 A ditadura venezuelana destruiu completamente a economia do país, e acabou com toda e qualquer possibilidade dos venezuelanos de terem uma vida pacífica, próspera e salutar. Hoje, venezuelanos completamente destituídos de tudo, até mesmo da própria liberdade, fogem em desespero para os países vizinhos, especialmente para a Colômbia e para o Brasil. Não se engane, o PT tinha exatamente o mesmo propósito para nós. E é para concluir um projeto totalitário de poder que estão desesperados para voltar a controlar o governo federal. Buscam ensandecidos o poder, porque o poder é o deus a que servem, o poder é a única coisa que reconhecem como sacrossanto.

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Governos não deveriam, jamais, interferir com a economia, porque sempre que o fazem, tendem a destruir os instrumentos e os índices de prosperidade de um país. A consequência natural será uma piora dramática na qualidade de vida da população, enquanto a elite governamental arrogante e prepotente permanece encastelada no poder, intocável, solenemente protegida das drásticas, prejudiciais e famélicas consequências das políticas socialistas por ela implementadas à força sobre a população. Por interferir de uma forma radical e irreversível em todos os segmentos da economia, estabelecendo um teto de preços para que o era produzido e consumido no mercado, o governo socialista venezuelano produziu a maior crise econômica da história de seu país, destruindo e arruinando completamente a produtividade, e aumentando o desemprego entre a população, a níveis nunca antes experimentados na história da Venezuela, outrora o quarto país mais rico do mundo.

Em decorrência disso, problemas vão gerando problemas, que geram ainda mais problemas. Em uma tentativa de esconder esses problemas, o governo torna-se progressivamente cada vez mais autoritário, e sua prioridade passa a ser ocultar a verdade, para que o mundo externo não descubra o incomensurável nível de dificuldades do qual o país sofre – e que são o resultado direto de políticas econômicas completamente equivocadas –, e seu grande objetivo, a partir daí, passa a ser fomentar a máquina publicitária estatal, que tenta divulgar a falsa impressão de que tudo está indo muito bem.

É assim que o governo venezuelano tentou ocultar o problema da desnutrição, que acomete mais de 70% das crianças venezuelanas; simplesmente omitindo informações, e esforçando-se em impedir a verdade de ser divulgada. Profissionais da área médica passaram a ser coagidos a não relatar a causa da morte de crianças, quando esta ocorre em decorrência da desnutrição, e quando a funcionária responsável passou a divulgar as informações de forma mais aberta, disponibilizando informações factuais no site do governo, ela foi substituída e o controle das informações passou para as forças armadas.

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A mesma coisa ocorre com relação à violência. A Venezuela tornou-se o segundo país mais violento do mundo, mas o governo empenha-se em ocultar informações relacionadas a este fato. O ataque a turistas aumentou vertiginosamente, de maneira que muitos são, primeiramente assassinados, para depois terem seus pertences roubados. Turistas de várias nacionalidades, como belgas, italianos e brasileiros, já foram assassinados em território venezuelano. Os ataques violentos e os latrocínios tem se tornado cada vez mais frequentes e alarmantes.

O ataque a policiais e oficiais do exército também se intensificou muito recentemente. Marginais e criminosos tem como alvo preferencial agentes do estado que andam armados, justamente pela oportunidade de roubarem-lhes as armas. O governo admoestou a estes que não saiam de casa depois do anoitecer, para dificultar a possibilidade de tornarem-se vítimas de tais ataques.

Em decorrência de toda esta espiral de crescente e irrefreável precariedade – algo inerente a um sistema socialista –, a corrupção em todas as esferas governamentais e militares aumentou exponencialmente, em especial no que diz respeito ao tráfico de moeda internacional – especialmente dólares – que, em função do extremamente desvalorizado bolívar venezuelano, que atualmente sofre com o problema da hiperinflação – tornou-se um grande negócio no mercado negro.

Tudo o que os venezuelanos sofrem atualmente é resultado direto da degradação gerada pelo socialismo. No desespero, eles fogem para os países vizinhos, em busca de melhores condições de vida. Tudo o que podemos fazer por eles, tudo o que devemos fazer por eles, deve ser feito. Temos uma obrigação moral, um débito impagável. Afinal, foi o governo brasileiro petista que deliberadamente arruinou o país deles.

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Ricardo Costa
É jornalista, gestor público e estudante do Curso de Direito.