A popularidade do poker nunca esteve tão em alta no norte do país. Com Amazonas sendo o principal destaque, os outros Estados também estão crescendo e ganhando mais adeptos. E as mulheres fazem parte dessa lucrativa e bem-sucedida história.

Nas mesas do Brasil, os homens ainda dominam em quantidade, mas essa realidade está mudando aos poucos. As mulheres estão tendo cada vez mais oportunidades de participar dos grandes eventos, e um dos principais motivos da integração maior está no tradicional Campeonato Brasileiro de Poker por Equipes (CBPE).

Realizado anualmente em São Paulo, o CBPE é um importante campeonato que reúne mais da metade dos Estados brasileiros que disputam a coroa do melhor do Brasil no poker. Nesse torneio, as seleções estaduais são formadas por seis competidores, e todo Estado precisa ter pelo menos uma mulher no time.

E o norte é, ao lado do sudeste, as duas regiões mais bem-sucedidas na história do CBPE — que acontece há cinco anos. Em 2015, a seleção de Rondônia/Acre conquistou o título, enquanto no ano passado Rondônia ficou em terceiro. Também em 2017 a seleção amazonense fez bonito ao ficar com a terceira posição geral.

“O poker está crescendo muito aqui no norte. Logo, acredito que será um dos três maiores esportes da região. E a mulherada adora participar, elas aprendem tudo desde cedo”, afirma José Amaral, competidor do Amapá.

O norte conta com uma das mulheres mais bem-sucedidas do poker brasileiro. Samara Brito é paraibana, mas compete por Manaus, e em 2015 ela conseguiu um grande resultado ao ficar entre as nove primeiras colocadas do Norte Poker Tour (NPT).

Naquele mesmo ano, Samara conquistou a incrível premiação de US$ 1 milhão (R$ 3,5 milhões no dinheiro atual) ao vencer um torneio online. Para chegar ao prêmio, ela precisou de investir apenas US$ 5, e bateu competidores do mundo todo.

Samara esteve presente com a seleção amazonense do ano passado, quando eles conquistaram a quinta posição. Em outros torneios importantes, como o WSOP de 2016, disputado em Las Vegas, ela ficou entre as 90 melhores colocadas (evento que teve mais de 800 competidoras).

Em Tocantins, um dos destaques é Márcia Donato, que é regular no Campeonato Tocantinense de Poker. Uma das melhores competidoras do Estado, no ano passado ela esteve na seleção estadual para o CBPE. No entanto, o Estado não conseguiu repetir o mesmo sucesso de Rondônia e Amazonas.

Experiente no poker, ela encara as cartas como trabalho há muito tempo. “Comecei me dedicar e estudar o esporte em 2014. No começo brincava em casa, até que me aprofundei e fui participar de campeonatos”, diz Márcia.

No entanto, Márcia não fica apenas nos torneios disputados no norte. Ela já participou de etapas do Campeonato Brasileiro de Poker (BSOP) em São Paulo e Goiás, por exemplo.

Além dela, Kelly Cristina é outra que pratica o poker em alto nível. “Aprendi a jogar em 2010, mas só em 2016 comecei a levar a sério. Já venci em torneios e tive resultados financeiros com isso”, afirma a tocantinense.

No Pará, uma das principais representantes do poker é Raquel Paula. No ano passado, ela representou a seleção paraense no CBPE. “As mulheres que estão conhecendo (o poker) estão gostando. A gente pode acompanhar a evolução se comparar a 2016, quando só tinha uma mulher para ir (no CBPE)”, comenta a competidora.

A ascensão entre as mulheres não é algo exclusivo apenas no Brasil. Na Europa, há muitas que sustentam um grande status no poker, como é o caso da britânica Natalia Breviglieri. Uma das referências da modalidade, ela tem um extenso currículo e também trabalha em prol do desenvolvimento maior do poker entre as mulheres.

Além dela, outras referências no poker feminino mundial, como Kristen Bicknell e Luiza Simão (brasileira), também são do time de embaixadoras da Party Poker e ajudam a fomentar a modalidade no âmbito feminino. “As mulheres têm muito potencial. Seria muito bom ver um circuito mundial em que estejamos em mesma quantidade com os homens”, afirma a canadense Bicknell.

Não faltam exemplos e ídolos para as mulheres no poker. Com a ascensão no norte e muitas delas apresentando bons resultados, a tendência é que as mulheres continuem ganhando espaço e vencendo grandes torneios nessa modalidade.