Da Redação JM Notícia

Marcelo Crivella durante cerimônia de posse na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Câmara Rio/Divulgação)
Marcelo Crivella durante cerimônia de posse na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Câmara Rio/Divulgação)

O prefeito Marcelo Crivella (PRB) pode sofrer impeachment por conta de uma reunião que fez com 250 pastores na semana passada onde prometeu vantagens como prioridade na fila de cirurgias de cataratas para evangélicos ou a solução para problemas com IPTU.

A reunião, que aconteceu a portas fechadas, repercutiu de forma negativa na imprensa, principalmente pelo fato do prefeito do Rio de Janeiro declarar que os evangélicos podem dar jeito no Brasil.

“Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para esses processos andarem”, disse Crivella que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

“Às vezes, o pastor está na porta da igreja e diz assim: ‘Quando o povo atravessa, pode ser atropelado’. Vamos botar um sinal de trânsito. Vamos botar um quebra-molas. Ou então o pastor diz assim: ‘O ponto de ônibus é lá longe, o povo desce e vem tomando chuva até a porta da igreja’. Então vamos trazer o ponto para cá”, prometeu.

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Denúncia de “crime de responsabilidade”

Nesta segunda-feira (9) o vereador Átila Nunes (MDB-RJ) protocolou um pedido de impeachment contra Crivella, alegando “crime de responsabilidade” por conta desta reunião e das promessas realizadas.

“O prefeito Marcelo Crivella criou uma crise institucional. Não se pode usar a máquina pública para beneficiar um grupo privado”, disse a vereadora Teresa Berger (PSDB).

“Como é possível um prefeito prometer para os integrantes da sua igreja passar à frente na fila de cirurgias? Isso é a corrupção do sistema de saúde do Rio em favor de um grupo religioso”, afirmou o vereador Paulo Pinheiro (PSOL).

Nove vereadores assinaram o pedido e o entregaram ao presidente da casa, Jorge Felippe. Mais tarde o vereador Paulo Pinheiro declarou que ao menos 13 vereadores teriam se comprometido a assinar o ofício.

O documento pede a convocação extraordinária da Câmara para apreciar em plenário “possível infração político administrativa e crime de responsabilidade do prefeito Marcelo Crivella”. O recesso da Casa deve ser interrompido assim que o pedido completar 17 assinaturas.