Da Redação JM Notícia

Presidente da República, Michel Temer. Foto: Marcos Corrêa/PR

Segundo um relatório da Polícia Federal (PF) sobre o inquérito dos portos, o presidente Michel Temer teria recebido R$ 5,9 milhões em propina das empresas Rodrimas, Grupo J&F e Libra.

A investigação aponta que os repasses financeiros foram realizados através de doações oficiais em espécie, em troca, Temer teria editado o Decreto dos Portos, datado de maio de 2017.

O relatório da PF diz que a atuação do presidente representa “desvio de finalidade, favorecendo indevidamente empresas e empresários do setor”.

A investigação aponta como interlocutor do esquema o ex-assessor de Temer, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB), que teria feito as supostas negociações com as empresas.

O militar João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, próximo a Temer, também foi indiciado e é apontado como “gerente” de uma “estrutura montada” para receber “benefícios financeiros por alguns desses empresários”. A PF pediu ainda a prisão do coronel.

A filha do presidente, Maristela, e outras nove pessoas foram indiciadas nesta terça-feira (16) pelo delegado Cleyber Malta em um relatório encaminhado ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

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Segundo o delegado, a estrutura da empresa do coronel Lima foi colocada à disposição de Temer e bancou a reforma de um imóvel de Maristela. O delegado afirma ainda que o decreto visou “honrar compromissos com um setor” do qual Temer “se beneficiou com recebimento de recursos indevidos durante quase 20 anos”.

Temer não vai se manifestar

A defesa do presidente Michel Temer disse que ele não vai se manifestar sobre as acusações da PF. O advogado Maurício Silva Leite, defensor do coronel Lima, reiterou que o pedido de prisão da PF é descabido e que confia na análise ponderada e técnica do STF.

Já o representante legal da ANPR, Camanho, afirmou que iniciou contato com o então vice-presidente Temer para tratar de questões corporativas e manteve após deixar a associação.

O advogador criminalista Fábio Tofic Simantob, que representa os executivos da Rodrimar, declarou que o relatório da PF “se contradiz com outro elaborado anteriormente pela própria PF em que reconhece que a Rodrimar não foi beneficiada pelo Decreto dos Portos”.

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O advogado de Rocha Loures, Cézar Bittencourt, afirmou que ainda não teve acesso ao relatório e que, por este motivo, não teria como se manifestar em defesa do seu cliente. A mesma resposta foi dada pelo Grupo Libra e a J&F não se manifestou sobre o caso.