Da Redação JM

A cristã paquistanesa Asia Bibi, que há uma semana teve derrubada a sua condenação à morte por blasfêmia, foi finalmente libertada e seguiu para um local não divulgado, anunciou nesta quarta-feira seu advogado, Saif ul-Mulook. Asia passou oito anos no corredor da morte e deverá permanecer escondida por temer retaliação.

“Foi libertada. Disseram que estava em um avião, mas ninguém sabe aonde vai pousar”, explicou em uma mensagem o advogado, que pediu asilo à Holanda.

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A ordem para Asia, de 53 anos, ser solta chegou nesta quarta-feira à prisão de Multan (Centro do Paquistão), onde estava detida, indicou uma fonte penitenciária à AFP. Segundo fontes, ela foi levada diretamente para o aeroporto sob esquema de segurança.

O marido de Asia Bibi fez um apelo por asilo para a família aos Estados Unidos, à Grã-Bretanha e ao Canadá, por considerar que corriam um grande perigo se continuassem no Paquistão.

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O caso Asia Bibi dividiu o país profundamente. A sua absolvição provocou protestos dos islamitas, que bloquearam durante três dias as principais estradas paquistanesas.

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O primeiro-ministro, Imran Khan, se viu obrigado, diante da amplitude das manifestações, a fazer um polêmico acordo com os radicais. O governo se comprometeu a abrir um processo legal para proibir Asia Bibi de deixar o território paquistanês, e a permitir uma possível revisão judicial do caso. Agora, o partido Tehreek-e-Labaik (TLP) disse que a libertação viola o pacto.

Bibi, uma trabalhadora agrícola mãe de cinco filhos, foi condenada à morte em 2010 acusada de blasfêmia, após uma discussão com vizinhas muçulmanas de sua aldeia por um copo de água.

A decisão foi tomada por autoridades paquistanesas sob a acusação de que ela teria usado termos depreciativos para se referir ao Islã, após colegas de trabalho, segundo informações do “New York Times”, não aceitarem dividir com ela a água contida no mesmo recipiente. Elas eram muçulmanos, e ela, cristã. Asia, que seria levada à forca, sempre negou que isso tenha ocorrido.

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