Da Redação JM Notícia

Foi publicado nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial do Estado, a exoneração do delegado regional de Araguaína, Bruno Boaventura, que deflagrou a Operação Expurgo na última semana, que culminou no maior escândalo de lixo hospitalar do Estado do Tocantins que foi encontrado armazenado de forma irregular em um galpão no Distrito Agroindustrial de Araguaína (Daiara). Ao todo, foram encontradas 180 toneladas de resíduos hospitalares.

O alvo da operação foi o ex-juiz eleitoral João Olinto Garcia de Oliveira, pai do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), e líder do governador Mauro Carlesse (PHS) na Assembleia. Ele teve mandado de prisão expedido pela justiça, no entanto, ele não foi localizado e é considerado foragido da Polícia.

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Delegado comenta

Nas redes sociais, o delegado  Bruno Boaventura, afirmou que recebeu a notícia de sua exoneração  “com muita hombridade e sentimento de dever cumprido”. “Pois, se incomodamos esses malfeitores, o trabalho foi realizado da melhor forma possível”, finalizou.

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Publicado por Bruno Boaventura em Sexta, 16 de novembro de 2018

Sindepol repudia

Em nota enviada à imprensa, o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Tocantins (Sindepol/TO), Mozart Felix, repudiou a exoneração do delegado Bruno Boaventura “que, por vontade do governo do Tocantins, não continuará a exercer suas funções.

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Desde junho de 2017, Bruno Boaventura exerceu o cargo de Delegado Regional, tendo prestado um excelente serviço à população de Araguaína e demais cidades que compõe a regional. A chegada de Bruno Boaventura e de outros 12 delegados em meados de 2017, somando forças aos que lá já estavam, revolucionou a segurança pública da região”, informou o presidente do Sindepol.

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Para o Sindicato, a exoneração seria uma retaliação. “A Polícia Civil passou a atuar de forma mais incisiva no combate à corrupção. É de conhecimento público o fato de que o irmão do deputado Olyntho Neto (PSBD) foi detido transportando uma mala com R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) no dia 01 de outubro de 2018, em Araguaína.

Para tanto, Luiz Olinto Rotoli Garcia de Oliveira (irmão do deputado) utilizava uma caminhonete da Assembleia Legislativa do Tocantins e era escoltado por Policiais Militares que prestam serviços àquela Casa de Leis. Da mesma forma, todos sabem que, no dia 12 de novembro de 2018, uma equipe chefiada  pelo Delegado Bruno Boaventura cumpriu mandado de busca e apreensão em imóveis que pertencem ao advogado e ex-juiz eleitoral, João Olinto Garcia de Oliveira (pai do deputado Olyntho Neto). Há ainda um mandado de prisão preventiva expedido em desfavor desse advogado.

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No dia 14 de novembro deste ano, a Polícia Civil, por meio de sua Delegacia Especializada no Combate aos Crimes contra a Administração Pública (DRACMA), instaurou inquérito policial em desfavor a esse mesmo deputado estadual e líder de governo para investigar a utilização do carro e de servidores da Assembleia Legislativa no episódio da apreensão da mala com R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais)”.

O presidente do Sindicato aponta que a exoneração de Bruno Boaventura é algo que “nos causa profundo espanto e preocupação com o futuro do Tocantins. Apesar de não estarem publicadas as razões do ato, sabemos que certamente não teriam ligação com os excelentes serviços prestados no cargo ou com o alto grau de satisfação da população de Araguaína com os resultados obtidos. Assim, só nos resta deduzir que se trata de um ato de perseguição política face às investigações que vem sendo desencadeadas e isso não
iremos permitir”.

 

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