Da redação JM

Parte dos integrantes da equipe montada por Damares Alves para liderar a pasta de Direitos Humanos no Brasil. Foto: JM Notícia

Nos primeiros dias de governo, Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, nomeou aliados de causas conservadoras para as secretarias responsáveis pela promoção de igualdade racial, políticas para pessoas com deficiência, políticas para a família e defesa dos direitos humanos. Essa nova fase do país tenta quebrar de vez a grande teia de ideologia de esquerda que dominava a política no Brasil.

No Projeto de Lei Orçamentário de 2019, a verba destinada apenas à pasta de Direitos Humanos é de R$ 398 milhões, sem considerar os órgãos que foram agregados à pasta no novo desenho ministerial, como a Funai. Essa é o valor destinado a políticas públicas que será controlado pelos secretários de Damares.

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Os nomes

O cargo de maior destaque, secretário de Proteção Global, ficou com o procurador da Fazenda e pastor evangélico Sérgio Augusto de Queiroz. Ele é da Igreja Batista Cidade Viva. A Secretaria Nacional de Proteção Global irá trabalhar com políticas públicas combate ao trabalho escravo e demandas do movimento LGBT, segundo a ministra Damares Alves.

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A deputada federal evangélica Tia Eron (PRB-BA), ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, é a nova secretária da Mulher. Em 2016, ela deu o voto de Minerva selando o destino do então presidente da Câmara Eduardo Cunha na comissão de ética, afirmando: “Não mandam nesta nega aqui”. Sua secretaria é responsável pelo disque-denúncia 180, que atende mulheres vítimas de violência, e por financiar centros de acolhida, unidades de atendimento e campanhas educativas para prevenir e remediar a violência sexual e doméstica contra a mulher. A evangélica também ficará encarregada de políticas públicas que facilitam o acesso das mulheres ao aborto legal na rede pública.

Já na Secretaria de Polícias de Promoção da Igualdade Racial, foi nomeada Sandra Terena, presidente da ONG Aldeia Brasil e jornalista de ascendência indígena.  Ela é amiga de Damares e evangélica. Em 2009, produziu o documentário “Quebrando o Silêncio”, denunciando a prática disseminada de infanticídio indígena em aldeias do Alto Xingu e Amazonas. O filme chegou a ser barrado por uma liminar da Justiça Federal, acusado de falsidade documental, mas depois foi liberado.

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Para a Secretaria da Juventude, Damares escolheu a jovem catarinense Jayana Nicaretta da Silva. Católica, foi eleita vereadora mais jovem de Santa Catarina aos 18 anos, em 2012. Em sua rede social, ela apoiou a candidatura de Bolsonaro, defende o Escola sem Partido e outras pautas conservadoras.

Outros nomeados são Ângela Gandra da Silva Martins, filha do jurista Ives Gandra Martins e representante da União dos Juristas Católicos de São Paulo (secretária da Família), Priscila Oliveira (secretária Nacional das Pessoas com Deficiência), surda e ligada à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e Petrúcia de Melo Andrade (secretária Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade).

Com informações O Globo