Da redação JM

Pastor e delegado, Campos atualmente é vice-presidente da frente de segurança pública. Foto: Reprodução

O pastor deputado João Campos (PRB-GO) pode ter sido alijado da disputa pela presidência da Câmara, após seu partido decidir apoiar Rodrigo Maia.

Não necessariamente, contudo, ficará sem o título de presidente em 2019.

Nos bastidores, ele é visto como candidato natural à liderança da bancada evangélica, função na qual não seria neófito: cumpriu-a entre 2010 e 2012.

O atual presidente da bancada, pastor Hidekazu Takayama (PSC-PR), não se reelegeu e, portanto, deixará a Câmara em 1º de fevereiro, quando a nova legislatura será empossada.

Campos afirmou que acha “impróprio tratar o tema agora”, antes da chegada dos novos parlamentares, mas não rechaça o interesse na candidatura.

Hoje o concorrente que mais se movimenta para assumir a presidência do bloco evangélico é Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), deputado eleito com o pastor Silas Malafaia de cabo eleitoral. Ele diz respeitar Campos e avaliará se continuará na corrida caso o ex-presidente de fato se candidate à vaga.

Outros nomes que haviam manifestado interesse, mas podem recuar: Lincoln Portela (PRB-MG) e Paulo Freire (PR-SP), filho do pastor José Wellington, da maior das Assembleias de Deus (o Ministério Belém), que também já esteve à frente da bancada evangélica, de 2013 a 2014.

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Pastor e delegado, Campos atualmente é vice-presidente da frente de segurança pública. Boa parte dos projetos e resoluções que apresentou em seus 16 anos na Câmara tem a ver com essa área e também a religiosa.

Em 2018, ele convocou sessões solenes na Casa pelos dias da Bíblia, da Reforma Protestante, da Proclamação do Evangelho e da Valorização da Família. Em junho, sugeriu ao governo Michel Temer (MDB) que o Brasil transferisse sua embaixada em Israel para Jerusalém, uma demanda da bancada evangélica e promessa eleitoral de Jair Bolsonaro.

Em 2012, protocolou seu projeto de lei que mais deu o que falar, apelidado de “cura gay”. Campos queria sustar dois artigos do Conselho Federal de Psicologia que proíbem profissionais do campo de emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno.

Acabou desistindo do projeto porque, disse à Folha de S.Paulo em dezembro, a cúpula do PSDB (seu partido à época)  soltou uma nota contrária a ele “sem nenhum diálogo”. Para ele, o texto “garantia a cidadania plena da pessoa homossexual, que poderia decidir por ela, que tem 18 anos, se quer procurar psicólogo”.