Da redação

Quatro das cinco pessoas conduzidas no dia 31, durante a 2ª fase da Operação Espectro, da Polícia Civil, confirmaram a devolução parcial dos salários recebidos em cargos a presidência da Assembleia Legislativa. Apenas uma pessoa negou o esquema. Esses quatro servidores confirmaram fazer parte do quadro de servidores comissionados do gabinete do parlamentar e que devolvem parte do salário para o lho do parlamentar, o vereador em Porto Nacional Tony Andrade (PSD).

Os depoimentos constam no inquérito conduzido pela DRACMA- Delegacia de Repressão a Crimes de Maior Potencial Contra a Administração Pública. Todos os interrogatórios são do dia 31 de janeiro, colhidos pelos delegados Guilherme Rocha Martins, Luciano Barbosa de Souza Cruz e Gregory Almeida Alves do Monte. Parente da esposa O gerente de uma loja em Porto e assessor parlamentar Franklin Delano Matos Maia, 45, conta que o vereador lhe ofereceu a proposta de assessorar o deputado “sem precisar trabalhar” em 2014, com salário de R$ 2,6 mil.

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Mais tarde, mudou de função e o salário subiu para R$ 4,6 mil. Ele arma que aceitou a proposta porque estava em dificuldades financeiras e porque sua prima seria a esposa do deputado. Maia disse ainda que sentia confiança nas palavras de Tony Andrade e na autoridade do deputado de que o esquema é legal e “ajeitariam tudo” para que ele não precisasse frequentar a Assembleia. Segundo Francklin, em conversas o filho do deputado “deixava a impressão que seu pai (deputado Toinho Andrade) tinha conhecimento desses fatos.”

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Vigilante

Líder de segurança de empresa privada de segurança contratada pela Assembleia, sediada em Palmas, Ludovino Roma da Silva, 44 anos, confirma ter sido convidado a trabalhar na Assembleia pelo próprio deputado Antônio Andrade após atuar na campanha do parlamentar nas eleições 2014. “Você me ajudou, eu vou te ajudar”, disse-lhe o deputado, conforme depôs aos policiais.

Nomeado como assessor seu salário é de R$ 3.563. Ele conta que às vezes ligam pedindo para devolver e informam qual o valor a ser devolvido. Do valor, devolve cerca de R$ 1 mil entre 5 ou 6 vezes no ano. Seu contrato começou há três anos e só a partir do segundo ano teve início os pedidos de devolução. O repasse é em espécie para uma coletora identificada como “Socorro”.

No lugar do marido

Adriana Alves Paranhos, professora da rede municipal de Porto Nacional, 37 anos, assumiu como assessora parlamentar em 2018 e arma desconhecer “a natureza do cargo”. Segundo o que contou aos policiais, pediu emprego ao vereador Tony Andrade para o marido, então desempregado e a contratação emperrou quando lhe disseram que deveria devolver parte do dinheiro, mas acabou aceitando depois porque o marido passava por pendências bancárias e não pode assumir. Segundo disse aos policiais, nunca trabalhou na Assembleia e do salário de R$ 2.740 recebido como assessora, repassa R$ 2.200, em espécie, para Tony Andrade.

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O quarto depoimento é de um caminhoneiro, que transporta grãos, defensivos agrícolas e mudanças, inclusive para outros estados e foi contratado inicialmente como assessor parlamentar no gabinete de Andrade em 2015. Segundo o depoimento, após três meses o próprio deputado lhe telefonou pedindo a devolução por meio de terceiros.

“Jamais devolveu”

A única a negar o esquema é Antônia Rosal de Oliveira, agente comunitária de saúde de Porto Nacional, de 51 anos. Ela arma que assessora o parlamentar há dois anos “quando ele precisa” e está “disponível a hora que ele quiser”. Para isso, tem carga horária flexibilizada pela chefia no cargo da Prefeitura. Sua função é repassar as necessidades de famílias carentes ao deputado a partir das informações obtidas com o cargo municipal e garante que “jamais devolveu dinheiro”.

Sem notificação

Procurado, o presidente da Assembleia Legislativa Antônio Andrade disse que ele e seu lho não foram notificados da investigação e por não terem ciência do que está sendo apurado não comentam o caso.

Foro

O parlamentar não é investigado, mas em manifestação ao juiz, os delegados da DRACMA armam ter verificado que conteúdo dos depoimentos faz menção, ainda que indireta, ao deputado Antônio Andrade, que possui foro por prerrogativa de função e solicitam ao juiz que haja manifestação Ministério Público para se decidir se a investigação prossegue na primeira instância ou deve seguir no Tribunal de Justiça. O caso do deputado Valdemar

Com informações JTo