Da redação JM

Um grupo de fieis da igreja evangélica Assembleia de Deus Milagres se organizou e montou acampamento na Ponte Newton Navarro (Natal-RN), e, usando radio comunicadores, já conseguiu salvar 16 pessoas do suicídio no local. “Um a gente não conseguiu salvar, pois ele pulou quando saímos pra comer”, contou o desempregado Wellington Inácio de Melo Filho, que está na ponte desde sábado (20), fazendo o trabalho de vigília.

A ponte Newton Navarro, um dos principais acessos da Zona Leste à Zona Norte de Natal tem 55 metros de altura e foi instalada em 2007 na capital como mais uma opção de acesso à Zona Norte. Há informações de que todos os dias alguém tenta pular, apesar de não haver estatísticas oficiais. Devido a esse fato, o grupo se uniu para atuar na prevenção e fazer um apelo ao poder público.

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Rubens Medeiros é o idealizador da ação. Ele conta que o grupo está acampado 24 horas por dia se revezando para tentar evitar que mais pessoas morram no local. “É uma resposta ao poder público que nunca instalou redes de proteção desde a criação da ponte, apesar das decisões judiciais”, explicou. A ponte tem mais de um quilômetro e 700 metros de extensão, mas os voluntários atuam como podem. Ficam três pessoas em cada sentido da ponte. “Nunca tinha visto ninguém querer pular, é assustador e contribuir para evitar o suicídio e salvar uma vida foi a minha maior alegria”, ressaltou uma das voluntárias.

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“A gente chega junto, oferece ajuda, conversa, ora e acompanhamos a pessoa até lá embaixo, onde um de nós ou mesmo a polícia, que passa muito por aqui, dá uma carona pra casa e entrega à família”, acrescenta Wellington.

No pé da ponte, pelo lado da Redinha, o grupo de fiéis do Pastor Rubens, idealizador da virgília, improvisou um acampamento, com tenda para refeições e barracas para repouso dos voluntários e até das pessoas que foram impedidas por eles de tentar contra a própria vida delas.

Há quatro dias no local, os voluntários já têm muitas histórias para contar, de pessoas de todas as idades, condições financeiras e aflições que em momentos de angústia pensam em não mais viver. O grupo que fica embaixo diz que está atento a pessoas em comportamento suspeito. “Ficamos por aqui, evangelizando e prestando atenção às pessoas. Quando identificamos um possível suicida, passamos uma mensagem por rádio a alguém que está no alto da ponte, passando as características físicas e vestimentas. Carros que param lá em cima, também são abordados pelos irmãos”, explicou Elisângela Leonês, vendedora autônoma, que deixou de trabalhar para atender ao chamado do pastor para o trabalho voluntário pela vida.

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A meta dos homens e mulheres que se comprometeram com o trabalho de vigília e salvamento é passar 30 dias no local e, além de evangelizar e salvar vidas, querem chamar atenção para a necessidade de vigilância 24 horas e sete dias por semana no alto da ponte Newton Navarro.

(Com PortalnoAr e OP9)