Da redação

Depois de ter causado grande polêmica no início do mês, autoridades paquistanesas voltaram atrás e decidiram retirar um anúncio de emprego  destinado apenas para cristãos, cuja função seria limpeza do sistema de saneamento básico.

O anúncio em questão era de emprego para o exército e a função requerida correspondem à limpeza e manutenção de esgotos e do sistema de saneamento básico. Diante da repercussão polêmica, foi retirado o pré-requisito de ser cristão para se candidatar à vaga, abrindo assim a candidatura a todas as pessoas.

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Segundo informou a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), a comunidade cristã recebeu a notícia do recuo das autoridades frente a esta questão como uma vitória, embora esta situação revele uma mentalidade dominante na sociedade paquistanesa que é profundamente desfavorável para com as minorias religiosas.

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Esta realidade de discriminação aos cristãos na sociedade paquistanesa atual já havia sido denunciada à ACN em recente entrevista por Joel Amir Sahotra, que pertence ao governo regional do Punjab.

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O cristão Joel Sahotra esteve em Lisboa (Portugal), onde relatou à Fundação ACN que a situação dos cristãos no Paquistão é muito delicada e que “os muçulmanos não estão preparados para aceitar e dar espaço aos membros das outras religiões, especialmente aos cristãos e hindus”.

Na ocasião citou como exemplo outro caso de anúncio de emprego que demonstra a discriminação contra as minorias religiosas no país.

“Tenho comigo um anúncio de um departamento oficial, publicado num jornal nacional, em que se pedem varredores. No entanto, só não muçulmanos podem se candidatar aos lugares. Não interessa se as pessoas têm estudos, se têm habilitações, pois a única forma de poderem ingressar naquele departamento terá de ser como varredores. É uma injustiça. Temos uma sociedade baseada na desigualdade.”

Conforme explicou, em 1947, quando o Paquistão foi fundado, os cristãos representavam cerca de 26% da população, enquanto hoje são apenas 1,6.

De acordo com Sahotra, a própria Constituição do Paquistão “não permite que um não muçulmano possa ser presidente ou primeiro-ministro”. “O que significa isto? Que há um critério duplo. Não temos os mesmos direitos”, assinalou.

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(Com ACI)