Em 2014, Ibrahim* viu sua cidade ser destruída e seus vizinhos mortos em um ataque de grupos extremistas. Ele está no Brasil para contar sua história

Entre os dias 27 de setembro e 13 de outubro, as igrejas brasileiras receberão a visita do cristão perseguido da Nigéria, Ibrahim, que vai contar como vivem os cristãos no país e o que grupos extremistas como o Boko Haram tem assolado os cristãos nigerianos.

“A perseguição religiosa está mudando de cara com o passar dos dias. O cristão da Nigéria, já atingido pela perseguição, não tem liberdade para viver, adorar, possuir propriedades, ter cargos no governo, se candidatar a cargos públicos, frequentar escolas e se expressar”.

Esse é o balanço que Ibrahim faz de como o cristão é perseguido na Nigéria.

Para saber em quais igrejas Ibrahim irá dar seu testemunho e contar mais de como foi liberto da morte após um ataque do Boko Haram, acesse https://www.portasabertas.org.br/artigo/correspondente-internacional

Perseguição Religiosa na Nigéria

Conhecido mundialmente como gigante africano, a Nigéria tem vivenciado um aumento diário de perseguição aos cristãos, que vivem em comunidades de maioria muçulmana.

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No 12º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2019, que classifica os 50 países que mais perseguem cristãs no mundo, os cristãos no país vivem em constante pressão sofrem violência praticamente diária por parte de grupos extremistas islâmicos.

Um dado alarmante de violência contra cristãos na Nigéria é que de 4.305 cristãos mortos no mundo em 2018, 3.731 foram na Nigéria.

Entre os ataques mais severos e memoráveis, o sequestro de mais de 200 meninas do Chibok é o principal e mobilizou o governo nigeriano, repercutindo na mídia internacional.

O que Ibrahim enfrenta

No dia 23 de junho de 2014, no início da manhã, por volta das 4horas da manhã, imediatamente após o momento de leitura bíblica e orações de sua família, ouviram sons estranhos de longe. “Saí rapidamente de casa para ter uma imagem clara do que estava acontecendo e vi ao longe um grande grupo de guerrilheiros fortemente armados, gritando ‘allahu akbar’ (que significa ‘Alá é o maior’ e frequentemente utilizado por grupos extremistas quando vão atacar). Eles também gritavam “Cristãos, seu fim chegou hoje”.

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Ao ouvir isso, Ibrahim sabia que ele e sua família corriam risco e que poderiam ser mortos naquele momento. De cima do muro de sua casa, ele viu que o número de guerrilheiros era muito grande e estavam fortemente armados com lança mísseis, metralhadoras, jipes e tanques de guerra. Eles vinham da única rota de fuga que Ibrahim conseguia. “Voltei correndo para dentro de casa e pedi a direção de Deus, entregando minha vida e minha família a Ele”. Instantaneamente ouvi uma voz, dizendo: “nada vai acontecer a você”.

A partir daí, o que Ibrahim pôde testemunhar foi a cidade ser saqueada e reduzida a pó. Sua casa e sua loja não se salvaram. Mas ele está no Brasil, entre os dias 27 de setembro e 13 de outubro para falar sobre essa experiência e o que mais tem acontecido no seu país.

*Nome alterado por motivo de segurança