Por Felipe Lemos

“Pense no propósito do que você torna visível no ambiente digital. Com qual propósito farei um comentário? Por que escreverei este texto?”, recomenda o autor. Foto: YouTube Adventistas Brasil

A pergunta que dá título a este artigo requer uma resposta individual e é absolutamente relevante, estratégica e atual. E está ligada, inclusive, a valores espirituais.

A reputação é uma palavra falada e estudada por muita gente. Teóricos como Fombrun[1] dizem que a reputação de uma organização tem sempre a ver com o resultado dos julgamentos e juízos pessoais. William Benoit[2] explica que a percepção de imagem é um bem considerado mais importante que a própria realidade. Indica que a responsabilidade atribuída a uma organização, por determinado fato, é o que vai contar na mente do público de interesse.

Mario Rosa[3], especialista brasileiro em reputação, comenta que a reputação é um patrimônio a ser trabalhado de forma permanente e não uma conquista final, uma medalha, guardada em um local seguro longe de qualquer tipo de risco ou ameaça.

Podemos dizer que a reputação online é aquilo que vai sendo construído, especialmente no ambiente digital, sobre uma organização (empresa, igreja, etc) ou mesmo sobre você, ao longo de um tempo. E tudo a partir da percepção de imagem que os outros fazem. Ou seja, algo formado por aquilo que os outros veem sobre quem você é e faz.

Não basta apenas você parecer ser algo. Os outros precisam acreditar nisso! Tem tudo a ver com reputação online.

Reputação online individual

Sim, a reputação que você constrói no ambiente digital é uma soma de muita coisa. Tem relação com aquilo que é encontrado em uma busca do seu nome no Google, postagens em perfis em redes sociais, publicações em sites ou blogs ou mesmo comentários nos perfis dos outros ou reviews acerca de produtos ou serviços.

E possui, portanto, dupla influência: uma para a sua própria vida e o relacionamento com os demais. Por mais que muitos afirmem não ser importante a opinião alheia, ela é, sim, importante. A percepção de imagem formada por outros a seu respeito é de grande influência, seja de forma positiva ou negativa. Trata-se de algo que preocupava até os escritores bíblicos.

Em Provérbios 22:1[4] , o conselho é explícito. “Mais vale o bom nome (reputação) do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro”. Em Eclesiastes 7:1, reputação é chamada de boa fama. “Melhor é a boa fama do que o unguento precioso e o dia da morte, melhor do que o dia do nascimento”.

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Reputação online e as organizações que represento

Reputação, no entanto, é mais do que apenas uma questão de como nos enxergam. Abrange a ideia da comparação entre o que dizemos ser e o que se percebe. Reputação implica coerência, consonância. E aí o ambiente digital é o mais usado como referência para se obter informações.

A maneira como eu me comporto no ambiente digital representa quem realmente sou? E mais ainda: representa o modo de ser e pensar das organizações das quais faço parte e que, de alguma forma, também represento?

A Bíblia nos ajuda a entender isso. Os primeiros discípulos de Cristo iniciaram a construção da reputação da então desconhecida crença, que era diferente do judaísmo e de outras formas de religiosidade da época. Em Atos 2:47, é dito que a maneira como estes primeiros cristãos viviam contava com a simpatia do povo em geral. Isso é um trabalho de construção de imagem e, portanto, reputação. E há, ainda, na escolha dos diáconos, uma expressão que, em português, é traduzida como reputação. No sentido original, em grego, a palavra que aparece ali é martureō, relacionada com testemunho.

As pessoas observavam como eles eram e, a partir disso, criavam sua opinião sobre o que era o cristianismo. O mesmo se deu com o jovem líder Timóteo. Em Atos 16:1,2, percebe-se que as pessoas em Listra e Icônio tinham uma boa imagem dele. Por isso, Paulo não hesitou em levá-lo junto em seu ministério. O modo de vida de Timóteo, de certa forma, era compatível com o que se esperava de um cristão e do cristianismo.

Então quer dizer que a minha reputação online tem, também, a ver com as organizações das quais participo? Sim, certamente. Jonathan Bernstein, notável especialista em gestão de crises, concorda com esta ideia. Falando sobre os funcionários de uma empresa, ele declara que “o fato é que cada empregado tem um papel em gestão de crises, goste ou não, porque cada empregado é um representante, em algum nível, da organização”. [5]

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Três atitudes possíveis e recomendáveis

  1. Reflita antes de postar, comentar, escrever ou de alguma maneira tornar-se visível no ambiente digital. Nem tudo o que você pensa precisa ser compartilhado com os outros. Isso irá gerar percepções e reações diversas e, quem sabe, longe da realidade da qual você imaginou.
  2. Seja coerente em relação ao que você afirma crer, pensar ou entender como visão de mundo (cosmovisão). Analise a coerência entre suas manifestações públicas e as causas que você ou as organizações (empresas, igrejas, entidades) das quais faz parte defendem.
  3. Pense no propósito do que você torna visível no ambiente digital. Com qual propósito farei um comentário? Por que escreverei este texto? Para que finalidade exatamente será este vídeo que postarei? Pensar na função ou finalidade das coisas que fazemos nos ajuda a avaliar se é o tipo certo de atitude a tomar, o momento e a forma certa.

Referências:

[1] THOMAZ, José Carlos; BRITO, Eliane Pereira Zamith. Comunicação corporativa: contribuição para a reputação das organizações. Comunicação organizacional na perspectiva da complexidade. Revista Organicom, n. 7, 2007.

[2] BENOIT, William L. Image repair, discourse and crisis communication. Public Relations Review, v. 23, p. 177-186, 1997. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0363811197900230?via%3Dihub>. Acesso em: 17 set. 2017.

[3] ROSA, Mario. A era do escândalo: Lições, relatos e bastidores de quem viveu as grandes crises de imagem. São Paulo: Geração Editorial, 2003.

[4] Versão Almeida Revista e Atualizada, 2ª edição.

[5] BERNSTEIN, Jonathan. Manager’s Guide to crisis management (Briefcase Book Series). McGraw-Hill Education, 2011.

Artigo publicado originalmente em Noticias Adventistas

Sobre o autor

Felipe Lemos é jornalista, especialista em marketing, comunicação corporativa e mestre na linha de Comunicação nas Organizações. Autor de crônicas e artigos diversos. Gerencia a Assessoria de Comunicação da sede sul-americana adventista, localizada em Brasília. @felipelemos29