Sem conchavos políticos, deputado Júnior Geo incomoda e já se torna vidraça

Pesquisas internas – encomendadas pelos blocos políticos interessados na eleição municipal de 2020 – têm revelado surpresas, para eles, um tanto quanto desagradáveis. Como esperado, aparecem como mais lembrados pelo eleitorado a atual prefeita e candidata natural à reeleição, Cinthia Ribeiro (PSDB), o vice-governador Wanderlei Barbosa (PHS), o ex-prefeito Raul Filho (sem partido) e ninguém menos que o deputado estadual Professor Júnior Geo (PROS). Esse último é a pedra no sapato, como dizem os correligionários.

Vários são os fatores para a preocupação. Como um estrategista ao estilo relatado no livro “A arte da Guerra”, Geo nega ser pré-candidato a prefeito. A negativa não lhe traz desgastes desnecessários e antecipados. Inteligente o professor, neste aspecto. Declarar-se candidato, neste momento, lhe traria apenas dissabores e especulações.

Contudo, ao ser questionado pelo Jornal Opção, o político sinalizou que se reunirá, ainda em novembro de 2019, com a executiva nacional do seu partido em Brasília. A sigla tem enorme interesse em lançar candidato a prefeito em Palmas e o professor é a bola da vez. Ele disse que ouvirá as ponderações dos dirigentes do PROS, analisará as perspectivas e o cenário e, por fim, decidirá se aceita ou não o honroso convite.

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Eleito em 2018 deputado estadual, JR Geo é detentor de uma carreira política meteórica. Elegeu-se vereador em Palmas em 2012 e reelegeu-se, com relativa folga, em 2016. Seu eleitorado é cativo, jovem e ideológico, além de fazer campanha gratuita nas ruas e pelas redes socais. Isso incomoda muito os políticos tradicionais que, naturalmente, são adeptos da força do poder econômico, formação de “currais” eleitorais e aliciamento de lideranças. O deputado tem dito que, ao invés de um eleitorado elitizado, ele conta com eleitores qualificados e politizados. Sua classificação não está equivocada, uma vez que os seus “seguidores” votam espontaneamente, pela identificação com suas posturas e não por dinheiro.

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Afirma ele que, quem votou nele na primeira vez em 2012, o fez por conhecê-lo em salas de aula, tanto alunos, quanto seus pais ou conhecidos. Já em 2016 e 2018, além daqueles votos, uniram-se à grande massa outros que passaram a admirar o seu desempenho nas atividades parlamentares, como a defesa incondicional do funcionalismo público ou no exercício da presidência da CPI do PreviPalmas, entre outros exemplos. Não deixa de ser verdade, uma vez que o resultado nas urnas, em 2018, foi absoluto: dentre os 10.944 votos obtidos para o parlamento estadual, José Luiz Pereira Junior (JR Geo) obteve, só em Palmas, 7.408 votos, o que o tornou o mais votado da capital. Tornou-se, portanto, apenas por esse fator, um candidato natural a prefeito da cidade que ele representa.

Um eleitorado fiel o colocou na oposição ao governo de Mauro Carlesse (DEM). Seu primeiro ato como deputado foi registrar sua candidatura à presidência da Casa Legislativa, deixando claro que o candidato do Palácio Araguaia, Antônio Andrade (PTB), não lhe representava, quebrando a votação unânime. Geo marcou território naquele momento. Tornou-se a voz dissonante, a oposição personificada. Atraiu, lógica e naturalmente, os servidores públicos, insatisfeitos com o governo estadual ante a ausência de pagamentos da data-base, progressões e outros direitos sucumbidos. Esse é um fator que pode desequilibrar a votação e pesar favoravelmente ao deputado, porque Palmas é uma cidade administrativa na sua essência. A capital respira serviço público. Os salários dos servidores federais, estaduais e municipais movimentam a cidade, isso é inquestionável. Naturalmente, Geo atrairá grande parte desses votos.

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Opositores dizem que ele não tem experiência como gestor à frente do poder executivo. Ao Jornal Opção, ele rebateu: “De que adianta ter experiência, ser PHD em gestão, se não tem boa-fé?”. O deputado do PROS não pode ser considerado o “outsider” como foi Amastha (PSB) em 2012, visto que já se tornou um político conhecido e experimentado pelas urnas. Entretanto, por gozar de um baixíssimo nível de rejeição, além dos aspectos já expostos, pode se tornar a terceira ou a quarta via das eleições de 2020, com grandes chances, inclusive, de obter êxito.

Tal possibilidade tem causado arrepio nos representantes da “velha política”. Não está descartada uma avalanche de suposições, “fake news”, além de uma pesada investigação da sua vida pregressa, condutas, relacionamentos e movimentações, inclusive bancárias. Te cuida, Geo! Antes mesmo do registro da tua candidatura, tú já viraste vidraça.

Com informações Jornal Opção