Os evangélicos já somam mais de 30% da população brasileira, segundo dados do Instituto de pesquisas Datafolha.

Desde ontem (20), aproximadamente 100 mil evangélicos devem mobilizar o país em um dos maiores eventos cristãos da América Latina, o 22º Consciência Cristã, em Campina Grande, na Paraíba. Os evangélicos já somam mais de 30% da população brasileira, segundo dados do Instituto de pesquisas Datafolha.

A ideia é promover cursos, seminários e reflexões, do ponto de vista cristão, sobre o comportamento dos fiéis frente a questões como política, ética no trabalho, corrupção, educação, sexualidade, ciência. Serão mais de 140 preleções gratuitas com convidados locais e internacionais. O procurador e coordenador da operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, por exemplo, deve ministrar um seminário sobre a “cultura da corrupção”.

Acontece simultaneamente, além disso, a maior feira de literatura evangélica latino-americana. São pelo menos 120 mil livros disponibilizados à venda.

Imagem corrompida

“O objetivo do Consciência Cristã é tentar trazer os evangélicos de todas as diferentes matizes para um evangelho ‘puro e simples’, centrado na pessoa de Jesus, tendo como importante a pregação da Bíblia, sem pervertê-la, corrompê-la, sem tentar manipular as pessoas ou tirar proveito delas”, explica o pastor e organizador do evento Euder Faber, ao site Gazeta do Povo. “Mas preocupado com a saúde espiritual das pessoas de maneira que elas possam ser edificadas e entender o que de fato é o evangelho de Cristo. A temática da corrupção, por exemplo, tem tudo a ver com aquilo que nós pensamos. O cristão, por natureza, luta contra a corrupção”.

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Ele observa ainda que, na conjuntura atual, a prática de muitos religiosos se distancia do discurso e dos princípios do Cristianismo. À medida que fiéis são expostos à sociedade por envolvimento em conflitos sociais, culturais e de caráter, a imagem do grupo como um todo tem sido corrompida.”

“O meio evangélico não tem a figura de um papa, há muitas vozes falando, mas ninguém fala em nome da igreja evangélica. E há determinados agrupamentos que, lamentavelmente, fazem marketing usando a imagem de Cristo, por interesses escusos, e levam a sociedade a ter uma visão negativa do meio evangélico como um todo. A tendência é sempre generalizar”, diz. “Nossa luta não pode ser nos mesmos moldes que tem sido feito por alguns movimentos no Brasil, com ações de intolerância e enfrentamento”.

Realizar um trabalho na vida secular com excelência e orientado pelos princípios bíblicos, além disso, para os cristãos, é uma forma de devoção a Deus e um dos tópicos de reflexão no congresso. “Quando trabalhamos, não o fazemos exclusivamente para homens, mas nosso trabalho na sociedade é diante dos olhos de Deus. E se algo é feito para Deus, precisa ser feito com excelência”, explica Mauro Meister, pastor que conduzirá a preleção. “Para o progresso, crescimento e desenvolvimento cultural e financeiro pessoal e da sociedade. O trabalho não é um elemento escravizador do homem”.