A trajetória de fé de David Luiz

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Pode-se dizer que um dos atletas que mais geraram empatia por parte do torcedor brasileiro ao vestir a camisa da nossa seleção na última década foi o zagueiro David Luiz. Parte disso se deve ao fato de que o hoje jogador do Arsenal, da Inglaterra, sempre deu tudo de si dentro de campo com a camisa canarinho. Outra razão que explica esse carinho é que, assim como outros jogadores antes dele, como Kaká e Hernanes, David Luiz nunca teve vergonha de professar a sua fé para quem quer que estivesse disposto a ouvi-lo.


Arsenal’s David Luiz visits Singita Kwit” (CC BY-ND 2.0) by Visit Rwanda

O auge dessa relação de amor com a torcida brasileira foi a sua atuação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2014, quando marcou o segundo gol na vitória do Brasil por 2 x 1 contra a Colômbia. O jogo seguinte, porém, não poderia ter sido pior para o zagueiro: na ausência de Thiago Silva, foi ele o capitão na derrota por 7 x 1 para a Alemanha nas semifinais. E justamente por não ter se eximido da sua responsabilidade naquela derrota, talvez ele tenha sido o jogador que ficou mais marcado pelo desastre no Mineirão.

Foi assim que, num espaço de apenas quatro dias, David Luiz foi, como diz o ditado, do céu ao inferno. E, assim como outros atletas que disputaram aquele jogo contra a Alemanha, aos poucos o zagueiro foi se tornando uma presença cada vez menos constante nas convocações da seleção: em 2015, foi convocado sete vezes; em 2016, apenas uma; e em 2017, novamente apenas uma. Esta última foi a sua 57ª convocação até aqui, e é muito pouco provável que o jogador de 33 anos volte a ter alguma chance com Tite.

Atuando por clubes, porém, David seguiu fazendo sucesso, ainda que com altos e baixos. De fato, dois jogos que realizou pelo Arsenal na última temporada foram emblemáticos. No primeiro, em 17 de junho, o jogador cometeu duas falhas constrangedoras e acabou expulso na derrota por 3 x 0 para o Manchester City pelo Campeonato Inglês. Pouco mais de um mês depois, no entanto, David Luiz foi possivelmente o melhor em campo na vitória da sua equipe por 2 x 0 sobre o mesmo City, pelas semifinais da Copa da Inglaterra.

Todos que acompanham o futebol internacional sabem que a equipe de Manchester, comandada por Pep Guardiola, é hoje muito mais forte do que o Arsenal. Para os que não estão a par do futebol inglês, basta dizer que na Betfair, casa de aposta de origem britânica, o City aparece como a equipe mais cotada para vencer a próxima edição do Campeonato Inglês, que tem início no próximo dia 12 de setembro. Já o Arsenal aparece num distante quinto lugar, junto com outro clube de Londres, o Tottenham.

É provável que parte dessa desconfiança que muitos analistas têm no sucesso do Arsenal – que, por sinal, acabou vencendo a última Copa da Inglaterra – venha de falhas de David Luiz na última temporada, quando foi expulso algumas vezes. No entanto, é justamente a fé que o jogador tem num poder muito maior que o seu que o faz tirar de letra quaisquer críticas – merecidas ou não – ao seu desempenho dentro de campo. Como ele mesmo disse quando entrevistado pouco antes da Copa do Mundo de 2014: “Do que tenho de ter medo?”.

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