O presidente da República, Jair Bolsonaro, e o vice-presidente, Hamilton Mourão, usam máscaras durante solenidade em Brasília
Foto: Marcos Corrêa/PR

Nunca o vice-presidente esteve tão dissonante do presidente da República. Pelo menos no discurso, dizem auxiliares de Jair Bolsonaro (sem partido).

Na avaliação de interlocutores do Palácio do Planalto, a dissonância no discurso do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), com o de Bolsonaro vem alimentando desconfianças e até troca de farpas indiretas entre os dois ultimamente.

Na semana passada, o vice-presidente, que também coordena o Conselho Nacional da Amazônia Legal, afirmou que o Brasil deveria atrair investimentos para a Amazônia dos Brics (grupo de países de mercado emergente), como China e Rússia.

O mal-estar ficou evidente durante cerimônia do programa Norte Conectado no Palácio do Planalto, na última terça-feira (1º). Sem citar o nome do vice, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “se um dia nós precisarmos de recursos de outros países, poderemos aceitá-los; mas serão de países que tenham, exatamente, os mesmos ideais nossos, de democracia e liberdade”.

Na mesma semana, outro fato protagonizou nova desavença. Hamilton Mourão, em entrevista à imprensa chinesa, afirmou que o leilão de 5G previsto para 2021 “não deve distinguir empresas pelo país de origem, mas pela capacidade em oferecer produtos e serviços (…)”. Uma sinalização positiva à China, segundo membros do governo.

Durante live nas redes sociais de quinta-feira (3), o presidente Jair Bolsonaro rechaçou “palpites” sobre 5G.

“Quem vai decidir o 5G sou eu, não terceiros, ninguém dando palpite por aí, não. Eu vou decidir o 5G”, destacou Bolsonaro.

“Lamentavelmente, o vice fala como se fosse o presidente, nega as bandeiras de campanha da chapa, e já se comporta como candidato a 2022 falando demais”, ressaltou um auxiliar próximo de Jair Bolsonaro.

Em outros episódios, Mourão também foi alvo de críticas. Em fevereiro, o vice-presidente sugeriu que defendia o aborto em alguns casos. Em abril, durante o fim do acordo da Embraer com a norte-americana Boeing, Mourão citou novamente a China como um potencial mercado.

A reportagem entrou em contato com assessoria do vice-presidente, mas não obteve resposta.

Procurado, o presidente Jair Bolsonaro não quis se manifestar sobre o assunto.

(Com CNN)

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