Em sua primeira entrevista a uma emissora de televisão brasileira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e ex-primeiro-ministro de Portugal, António Guterres, ressaltou a importância do multilateralismo para o mundo, especialmente em momentos de emergência global, como a pandemia do novo coronavírus.

“A Covid-19 deixou o mundo de joelhos. Nessa situação de fragilidade é preciso entender que se cada país tentar resolver seu problema, não vamos a lugar nenhum”, disse Guterres à editora de internacional da CNN Adriana Mabília.

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“Entendo que é preciso respeitar a soberania dos países, porém ela não impede a cooperação. Precisamos de um multilateralismo mais forte. Desafios globais precisam de resposta global.”

O secretário-geral também abordou a questão da Amazônia, mas ampliando a discussão sobre o desmatamento, dizendo que existe um “fenômeno global” de queimadas.

“Se fala muito de incêndios na Amazônia, mas tivemos incêndios devastadores em todo o planeta no último ano. Vivemos um fenômeno mundial em que é preciso esforço coletivo para evitar perdas e reflorestar.”

Guterres classificou a luta pela preservação do meio ambiente como uma “guerra” em que a reação da natureza poderá ser brutal para a humanidade.

“O homem tem estado em guerra contra a natureza. É um conflito suicida, porque a natureza responde com agressividade. Temos que parar essa guerra, conter as emissões, atingir a neutralidade de carbono até 2050. Se não fizermos isso, as consequências, que já são devastadoras, ficarão caóticas.”

Conselho de segurança da ONU

Outro assunto abordado na entrevista foi o Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 países, sendo 10 rotativos e 5 permanentes, com poder de veto: Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e a China.

A reforma do conselho é um assunto há muito discutido na diplomacia, mas que esbarra na resistência dos países-membros. Guterres defende as mudanças e diz que a composição atual do conselho não reflete o mundo atual.

“O Conselho de Segurança que temos não corresponde ao mundo atual. Tenho encorajado os estados membros a um diálogo sério sobre isso. Quero seguir com este diálogo na Assembleia Geral da ONU, porém os membros permanentes não concordam.”

(CNN/Edição do texto: Paulo Toledo Piza).

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