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Espera por cirurgia eletiva no SUS chega a 12 anos, diz levantamento

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Da Redação JM Notícia

904 mil brasileiros aguardam por cirurgias sem urgência, mas demora pode agravar estado de saúde (Foto: Pixabay)

Um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que a espera por cirurgia eletiva no Sistema Único de Saúde (SUS) chega a 12 anos. Elaborado com dados das secretarias da Saúde dos Estados, o estudo revela o estado da saúde brasileira que coloca em risco a vida de milhões de pessoas.

São pelo menos 904 mil brasileiros que aguardam uma cirurgia eletiva, que são os procedimentos caracterizados como “não urgentes”. A maior parte dessas pessoas, aguardam a cirurgia há mais de 10 anos.

Ainda que não seja procedimentos de urgência, a demora por agravar o quadro dos pacientes, como afirmaram os especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo.

“Quem não faz a cirurgia eletiva vai acabar caindo um dia no sistema de urgência e emergência ou operado num quadro muito pior do que no início da doença”, diz o presidente em exercício do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro.

A cirurgia de catarata é a que apresenta maior demanda no país com uma fila de 113.185 pessoas, a segunda maior é a cirurgia de hérnia (95.752), seguida pela retirada da vesícula (90.275), varizes (77.854) e de amígdalas ou adenoide (37.776).

Número deve ser maior 

O CFM realizou o estudo com base da Lei de Acesso à Informação, mas 16 Estados e 10 capitais responderam mostrando números de pessoas que aguardam pelo atendimento, o que leva a crer que este número é bem maior que os 904 mil.

Mesmo assim, o levantamento já é maior que os dados divulgados pelo Ministério da Saúde que informou que a fila era de 804 mil solicitações em todo o país.

“Tanto o número do ministério quanto o levantado pelo CFM são subestimados, porque parte dos Estados não respondeu ou não possui os dados organizados. Há ainda aquelas pessoas que precisam da cirurgia, mas nem sequer têm acesso ao especialista que dá o encaminhamento”, destaca Britto Ribeiro.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu que há falhas de informação nas listas passadas pelos governos locais à pasta e citou os mutirões como exemplo.

“Quando os Estados começaram a fazer mutirões, constatamos que a maioria das pessoas que passaram pelas cirurgias não constavam da lista inicial passada pelo Estado. Isso demonstra que nossa fila não era exata”, diz ele.

Os mutirões de cirurgias foram realizados pelos Estados com verba federal em julho deste ano, após a criação da fila única.

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