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OAB-PB acusa professora cristã de LGBTfobia por ensinar a Bíblia

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Lourdes Rumanelly é bióloga por formação, professora em escolas de João Pessoa e atua também como teóloga. Em uma série de lives que vinha realizando, discutia questões biológicas sob a ótica da religião cristã.

Professora cristã é alvo de patrulha por ensinar na Bíblia em João Pessoa. Ela pode responder judicialmente por ter falado que homossexualidade é pecado.

Um inquérito foi instaurado nesta terça-feira (14) para investigar a professora Lourdes Rumanelly Mendes dos Reis, depois que ela deu declarações, que segundo a OAB-PB, foram supostamente LGBTfóbicas numa live realizada no dia 1º de julho, no perfil pessoal dela em uma rede social. A investigação foi aberta na Delegacia Especializada contra Crimes Homofóbicos e Intolerância Religiosa da Polícia Civil da Paraíba, após denúncia protocolada pela Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Paraíba (OAB-PB).

Dias trás, por nota, a professora Lourdes Rumanelly Mendes dos Reis, informou que as lives foram uma iniciativa não extensiva às escolas onde ensina. Lembrou também que tem 13 anos de magistério e que nos vídeos vinha abordando um diálogo entre religião e ciência, com o objetivo de mostrar que ambos dialogam entre si. Declarou também que o intuito era “expor o que as ciências naturais dizem acerca da constituição do sexo do indivíduo, endossando o que a Bíblia também relata sobre o tema” e ponderou que não tinha a intenção de desrespeitar “os membros da comunidade LGBTQI+”.

Lourdes Rumanelly é bióloga por formação, professora em escolas de João Pessoa e atua também como teóloga. Em uma série de lives que vinha realizando, discutia questões biológicas sob a ótica da religião cristã, quando teceu críticas sobre homossexualidade e transsexualidade.

Segundo o advogado José Baptista de Melo Neto, que preside a Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-PB e registrou o boletim de ocorrência na Polícia Civil, gerou repercussão na internet o vídeo em que a professora se referiu às “práticas ditas não reprodutivas” por termos diversos como “aberração”, “perversão”, “prática repugnante”, “imoralidade”, “corrupção do corpo”, “abominação” e “pecado”. Algo que, de acordo com o ele, incorreria em crime, principalmente depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu em 2019 equiparar o crime de LGBTfobia ao de racismo.

Ainda de acordo com o jurista, o fato da live ter sido transmitida no Instagram potencializa o alcance do crime, até porque a própria professora pediu para que seus seguidores dessem mais visibilidade ao vídeo, a partir de compartilhamentos na rede social.

Representantes do Movimento do Espírito Lilás (MEL), do Coletivo Petris de Homens Trans da Paraíba e do Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria também estiveram na Delegacia.

Indiciamento

O delegado Marcelo Falcone, que está à frente do caso, declarou que tem até 30 dias de prazo para concluir o inquérito instaurado. O primeiro ato é iniciar o levantamento de provas e, depois, a professora será convocada para prestar depoimento à polícia. Antecipou que a professora pode ser indiciada e o caso irá para a justiça, onde ela pode responder judicialmente.

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